terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Nada a comemorar

Vergonhosa a Folha de Londrina especial e o Jornal de Londrina, também especial, deste dia 10. Tá certo que ontem Londrina estava comemorando 73 anos, mas não precisava os dois diários da cidade fazerem edições comemorativas cabotinas. Precisavam?
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A Folha publicou 32 páginas; e o JL, 18. Tudo muito bonito, com boas fotos, bons textos. Londrina estava linda...
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Já é tradição os diários fazerem edições especiais enaltecendo a cidade no dia do seu aniversário. No fundo, quem é do meio sabe que esses exemplares só têm um propósito: faturar. Ganhar dinheiro.
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Essas edições em nada contribuem para o bom jornalismo, porque não mostram a realidade. Falseiam. Mostram um ideário lógico e belo, mas muito utópico, e escondem a realidade.
Em ambos os jornais não se falou dos crimes e da violência do cotidiano, não se falou das trapalhadas de uma Administração municipal que peca pelo que faz de errado e pelo que nada faz. Não mostra os problemas das creches e das escolas de ensino fundamental. Nada fala da nota baixa do Ideb.
Os dois diários passam ao largo das ruas esburacadas, dos terrenos públicos baldios, da mendicância das esquinas e das crianças abandonadas e dormindo ao relento.
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A Folha recrutou cerca de 13 jornalistas para realizar a edição – a grande maioria contratada como free-lancer, apenas para cobrir a festiva data. Dentre eles estava até um jornalista que faz parte da suspeita Assessoria de Imprensa da Prefeitura, já que a Administração municipal, mais o seu braço-direito financeiro, a onipresente Sercomtel, foram os maiores anunciantes da edição. (Quanto isso custou para nós, hein?)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

A informação é a maior fonte de poder.
(Byron de Sousa)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Pedágios baratos para sempre?

O Governo anunciou pedágios baratos nas rodovias federais, através da concessão das estradas para a iniciativa privada. A questão é saber se o preço do pedágio será baixo para sempre.
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Não adianta nada cobrar pouquinho no começo mas aumentar gradativamente ao longo do tempo. Num país com a economia estabilizada e o dólar barato (moeda da hora das indústrias petrolífera e asfáltica), não há por que ficar aumentando o preço demasiadamente.
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A questão é que quase toda a imprensa falou do pedágio barato, mas não falou sobre “até quando” será barato. E também não questionou se o pedágio em si é justo ou injusto para quem já paga alta carga de IPVA.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Editoria de Educação

Por unanimidade, a educação foi eleita como a mais importante na vida e na formação das pessoas. Sem educação de qualidade as pessoas não evoluem e o desempenho social e econômico também não cresce.
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Se é assim, por que os veículos de comunicação não abrem editorias especiais sobre o tema, as “editorias de educação”? Tem assunto de sobra!
Assim como as editorias políticas, de esportes, de cultura, a educação também deveriam ter a sua.
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Se pensassem e abrissem este espaço, a mídia estaria contribuindo bastante para a evolução do país, da Nação, porque quem lê jornal, assiste à TV e ouve rádio são, em tese, formadores de opinião, então...
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A imprensa fala muito da importância da educação, mas pouco faz de prático a respeito. Cadê a sua responsabilidade social?

domingo, 2 de dezembro de 2007

Corinthians não pode cair

Sou palmeirense, aliás, já fui muito “roxo” (hoje, não). Então, como palmeirense deveria torcer pela queda do Corinthians para a Segundona do Campeonato Brasileiro... que delícia...
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Mas, pensando bem, não vou torcer. Pelo contrário: vou torcer a favor do tradicional adversário. Falo sério!
Não quero que o Corinthians caia, sabe por quê? Porque se cair o time vai bombar de popularidade nos rincões do Campeonato Brasileiro da Série B. Vai fidelizar um maior número de torcedores e, aí, pode se tornar, de fato, o time disparadamente com maior torcida do país (hoje é o Flamengo). E aí, será de doer...
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Se cair, o time evidentemente vai voltar um dia para a Primeira Divisão, e bombado por uma torcida maior. (Agüentar corintiano nestas condições não vai ser mole...)
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Não existe nenhuma pesquisa comprobatória de que sendo rebaixado o time aumenta a torcida. Existe apenas uma sensação pessoal, minha. Sensação que tive quando o Palmeiras jogou a Segundona, em 2003. Sensação que tive quando os rebaixados Grêmio (2005) e Botafogo (2003) também mostraram, e sensação que não tive quando o Fluminense usou o tapetão pra voltar à elite do futebol, em 2000.
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Voltando ao Palmeiras: não ocasião da sua Série B, o Verdão fez um de seus melhores campeonatos e terminou campeão. Campeão no campo e na arquibancada, onde bateu recordes e recordes de arrecadação.
No ano seguinte (2004), retornou à Série A com a torcida revitalizada e, por extensão, com mais fiéis.
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Posso exemplificar o que escrevo usando o próprio Corinthians de 1977. Até 1954 era um time comum, mas ficou 23 anos sem ganhar um título sequer e, quando isso aconteceu, a massa torcedora estava entorpecida, bombada, revitalizada. Por causa disso tornou-se o segundo time com maior torcida (e a mais chata e odiada) do país.
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Não sou um expert em esportes, mas onde andam os tais comentaristas esportivos que não perceberam isso ainda? Ninguém levantou a bola para uma discussão ou um debate em torno do assunto!

sábado, 1 de dezembro de 2007

DVD original pirata

A pirataria de CD e DVD só vai começar a ser combatida de verdade se o governo reduzir a carga de impostos sobre o produto e se as gravadoras enxugarem as muitas gorduras do seu preço de produção. E também se as partes que compõem a cadeia de produção (atores, diretores, cantores, músicos, etc.) também reduzirem um poucos os seus ganhos.
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Mas não é o que parece achar o cinéfilo Marcos Petrucchelli, com a complacência da apresentadora da CBN Tânia Morales, do Rio de Janeiro.
Não faz muito tempo Petrucchelli participou de um pequeno debate com a Tânia no programa CBN Total, dentro do quadro sobre cinema. Para os dois, a pirataria é caso de polícia e também tem que ser combatida diretamente pelo consumidor.
E mais: culparam o alto preço cobrado nas bilheterias dos cinemas, o que estaria induzindo o consumidor a procurar o pirata.
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Na verdade, isso é muito relativo. A ganância é o que aflora sobre a questão. Ganância do governo e das gravadoras, principalmente.
Hoje um DVD original custa, no lançamento, em torno de R$ 35,00 a R$ 50,00, e os piratas giram em torno de R$ 5,00. É muita diferença pro consumidor ficar bonzinho...
O original é aviltante e por isso deixa o consumidor com cara de otário!
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Chega de hipocrisia, inclusive da imprensa! Se um DVD verdadeiro custasse realisticamente em torno de R$ 15 a R$ 20,00 no lançamento, com certeza o povo seria verdadeiramente bonzinho e o compraria, e assim acabaria com a indústria da pirataria. Pode acreditar! E nem precisaria gastar rios de dinheiro com campanhas e mais campanhas pra dizer que “pirataria é crime”. Explorar a economia popular também é crime!
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O quadro do CBN Total pecou porque não abordou todas as nuances da questão. É um assunto muito delicado e profundo que não fica apenas nas superficialidades do moralismo da população, ou no preço dos ingressos do cinema.
As dificuldades são como as montanhas. Elas só se aplainam quando avançamos sobre elas.
(Provérbio japonês)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

As propagandas da Sercomtel

Aconteceu aquilo que muita gente queria e torcia: ver onde e quanto a companhia telefônica de Londrina, a Sercomtel, gasta de publicidade. Para quem não sabe, são R$ 15 milhões utilizados em dois anos.
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Alguns poderosos da cidade tinham em mãos números a respeito haviam pelo menos cinco meses, mas temiam expô-los por causa das subjetivas conseqüências políticas que isso poderia acarretar – para si e para a cidade.
Todo mundo sabe que a Sercomtel, uma empresa pública municipal, é a menina-dos-olhos da Prefeitura. É onde fica a polpuda grana das assinaturas básicas que teimam em não acabar – o londrinense que tem linha de telefone da Sercomtel já começa o mês devendo pelo menos R$ 40,00 para a companhia. Um absurdo!!
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Foi preciso aparecer uma vereadora corajosa, a Sandra Graça (PP), para botar tudo às claras. E aí o circo pegou fogo!
Os nomes dos principais veículos de comunicação beneficiados apareceram, os valores recebidos por eles também. Algumas emissoras de rádio noticiaram o fato, algumas TVs e o Jornal de Londrina também, mas a “gloriosa” Folha de Londrina, a que mais recebeu entre os jornais, fez ontem uma materinha chifrim, an-passant, sem muitos detalhes, apenas pra dizer que está praticando jornalismo. (Justo a Folha, que confunde a sua própria história com a da cidade...)
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Na verdade, a qualidade editorial da Folha de Londrina caiu bastante nos últimos quatro meses. Precisa melhorar muito se quiser conquistar novamente a confiança dos leitores.
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Sobre as publicidades da Sercomtel propriamente dita, fica a pergunta: por que gastar R$ 347 mil com a desligada TV Antares, cujas ondas mal saem do centro da cidade? Agora a Sercomtel diz que não foi esse valor, e corrigiu para “apenas” R$ 69 mil... Mesmo assim, porque gastar essa grana com uma TV que mal está instalada?
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Por que aplicar R$ 113,5 mil no desconhecido jornal “Folha Norte”, um jornal de bairro que só circula na região norte da cidade e que mais parece órgão oficial do PT e dos petistas lotados no poder?
Por que gastar com um pseudo-jornal chamado “Londrina Sul”, que teoricamente atende os bairros da Região Sul? Nem o valor eles divulgaram, mas sabemos que no ano passado foram R$ 14 mil, e até maio deste ano foram pagos mais R$ 10,5 mil.
E há ainda uma lista grande de jornaizinhos picaretas que recebem até que uma boa graninha da fabulosa companhia telefônica...
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Que tipo de retorno publicitário isso dá? Não é muita grana? Será que o dinheiro não está tomando outro caminho? Acho que não, né?
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As respostas, entretanto, deverão vir nas próximas semanas, já que, por causa de tantas denúncias, a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Londrina (antiga PIC) entraram na parada e vão investigar. Hoje mesmo eles apreenderam documentos (busca e apreensão) da empresa.
Vamos ver o desenrolar dos fatos, e esperar que a imprensa faça o dever de casa: divulgar tudo!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Veja só

Renan Calheiros, há muito no olho do furação, passa o seu tempo criticando a revista “Veja”, que lhe fez – e faz – uma série de denúncias.
A julgar pela opinião pública nacional, e independentemente de sua cassação ou não, o pragmático presidente do Senado só vai valorizar ainda mais a revista.
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Quanto mais ele “bate” na Veja, mais a Veja se projeta positivamente.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Onde está você, minha cobra?

A “Serpente Ruiva”, como carinhosamente é conhecida a alegre jornalista curitibana Ruth Bolognese, misteriosamente saiu das páginas da “Folha de Londrina”, onde assinava, até o meio da semana passada, uma das colunas políticas e de variedades mais lidas do jornal.
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Por que não está mais lá, depois de anos e anos ocupando um nobre e importantíssimo espaço no jornal? Com a palavra, a Folha, que até agora não deu satisfação alguma a seus leitores. Faltou ética e respeito deste matutino – que ultimamente está devendo muita qualidade.
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Por falar nisso, existem comentários por aí de que elementos poderosos a nível nacional e paranaense teriam feito um acordo financeiro com alguns veículos de comunicação que noticiam por essas bandas. No pacote entra, inclusive, mudanças na linha editorial, evidentemente pró-contratantes.
Quem acompanha com regularidade muitos jornais, rádios e TVs já devem ter percebido isso. Algumas mudanças são sutis, mas outras...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Silêncio eleitoral

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, tinha domicílio eleitoral em Londrina.
Tinha.
Há cerca de um mês ele mudou o título para Curitiba. Por quê?
Bernardo teria mudado de endereço residencial? Se for isso, justifica, mas...
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Tradicional deputado federal e candidato em qualquer eleição que se avizinha, Bernardo tem voto espalhado por todo o Estado, não precisava transferir o título.
Tem caroço neste angu, que a imprensa paranaense (e particularmente londrinense) estranhamente não abordou.
O caso merecia pelo menos uma materinha política.
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Deveriam perguntar ao ministro por que ele mudou o domicílio. Pelo menos seria uma curiosidade política, e por se tratar de um homem público o assunto mereceria pelo menos uma nota.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Kaká, que feio!

Olá, imprensa esportiva light, vamos acordar?
O “indignado” Kaká, do Milan, disse que pode largar o futebol italiano por causa da violência que ocorreu por lá.
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Que bonitinho, não?
Acho que o astro brasileiro deu uma bola fora. Brasileiro da “pacífica” cidade de São Paulo, onde se projetou para o estrelato do futebol, Kaká toca a pelota para o lado da demagogia, mas acerta a hipocrisia.
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O que leva um sujeito a deixar a capital paulista, onde o futebol nos gramados e nas arquibancadas está entre os mais violentos do mundo, e depois a fazer tal declaração? Será que querem valorizar seu passe para uma megamilionária transferência?
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Quem bateu firme na bola foi Gianni Rivera, um dos maiores jogadores da história do futebol italiano. Ele acusou Kaká de agir com "hipocrisia" ao advertir que os jogadores estrangeiros poderão deixar o país devido à violência.
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Disse o italiano para o jornal esportivo francês L'Equipe: “Não existe esse risco [de os estrangeiros irem embora]. Se eles estão aqui não é por amor ao futebol ou porque estão apaixonados pelo nosso país, mas porque recebem muito bem”.
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Gooool de Rivera! A imprensa brasileira comeu barriga e levou um frango!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Feliz aquele que ensina o que sabe e aprende o que lhe ensinam.
(Cora Coralina)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Oitavo pecado

Ainda os bancos:
Agora há pouco o prestigiado “Jornal Hoje”, da Globo, botou no ar uma matéria mostrando que a maioria das ricas instituições bancárias se recusa a receber pagamento de contas de consumo (água, esgoto, energia elétrica, telefone, etc.), e para isso induzem o consumidor a ir pagar nas lotéricas, supermercados e padarias. Um suposto usuário, com uma câmera escondida, entrou em dez bancos para fazer o teste e somente três aceitaram as contas.
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Só que, da mesma forma como aconteceu em Londrina, a reportagem também não citou o nome dos bancos testados. Tinha que mostrar!
O direito do cidadão prevalece sobre o direito dos bancos, ou não? Eu, cidadão Marcelino, quero saber quais foram os bancos testados!
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O que eu sei é que os poderosos bancos são clientes preferenciais de muitos veículos de comunicação, haja vista as inúmeras propagandas que vemos na telinha, nos jornais, nas rádios e na internet.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Sete pecados

Sete bancos estão sendo processados por correntistas de Londrina (PR) através do ingresso, ontem, de 40 ações judiciais. Eles se sentem lesados. Os argumentos são cobrança de taxas de serviços abusivos e falta de informação ao cliente.
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A notícia circulou em praticamente todos os veículos da cidade ontem e hoje, mas por que alguns veículos de comunicação temem citar o nome dos bancos? Poxa, custava citar que estão sendo acionados os vilões Real, Bradesco, Caixa Econômica, HSBC, Itaú, Santander e Unibanco?
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Andei vendo a reportagem da TV Tarobá, por exemplo, e lá não saiu o nome dos sete pecadores. Também não saiu na “Paiquerê AM” e nem na “Folha de Londrina” de hoje. Não vi a matéria em todos os veículos, mas... fico com a pulga atrás da orelha.
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Mérito, porém, ao “Jornal de Londrina”. Este, sim, mencionou os nomes dos lucrativos bancos numa reportagem completa assinada hoje pela jornalista Stella Meneghel. Parabéns!

sábado, 10 de novembro de 2007

Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas.
(Thomas Cray)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O quatro vermelho

A logomarca promocional da Copa do Mundo de 2014 no Brasil estranhamente já estava pronta antes mesmo do anúncio oficial da Fifa, semana passada.
Apesar disso, ficou bem objetiva e de fácil assimilação, mas uma coisa me chamou a atenção: qual o seu verdadeiro significado?
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Os elementos utilizados no seu layout remetem-nos ao nacionalismo brasileiro, nada mais natural.
Nela podemos observar o número “2014” estilizado, uma bola de futebol fazendo o papel do “zero” e uma faixa tremulada sobre a mesma.
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Mas tem mais: quase todas as cores utilizadas na marca são parte do símbolo nacional, o verde, o amarelo, o azul e o branco. O número “1” carrega o verde; o “2” vai de amarelo; o “0” (bola) carrega o tom azul, e o branco está na faixa.
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Agora, a observação que não quer calar: o número “4” foi pintado de vermelho.
Vermelho? Por que vermelho?
Nada contra, mas o vermelho não é uma das cores-símbolos nacionais.
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Fazendo lucubrações: o quatro-vermelho pode não dizer nada, mas também pode dizer tudo.
A cor intrometida teria a ver com a ideologia política do atual governo (cor do PT), que deu as garantia$ para a realização da Copa?
E por que foi pintado no quatro? Significaria mais “quatro” anos para o PT/Lula, e justamente em 2014?
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Estamos completando uma semana do anúncio oficial da Fifa e da divulgação da dita logomarca, mas ninguém da imprensa resolveu polemizar em cima deste colorido fato.
Será que ninguém percebeu? Ou eu estou vendo demais? Seria um simples exercício de imaginação ou uma miragem ideológica da minha parte?
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Com a palavra, a Confederação Brasileira de Futebol, criadora da logo.
(Em tempo, a CBF estreitou muito o seu relacionamento com o Governo Lula, tudo por causa da Copa.)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros.
(Benjamin Franklin)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

“Classiquinho” Londrina x CAC/Lusa

A auto-estima do londrinense realmente anda em baixa, até no esporte. E nem mesmo a imprensa local ajuda a valorizar.
Pois veja você que ontem foi o dia do “clássico” entre Londrina e o CAC/Lusa. Clássico? Desde quando isso é clássico?
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Pensar num jogo como esse como um clássico é ofender a torcida e quem gosta de futebol. É ofender a nossa inteligência!
Londrina x CAC nunca foi um clássico, na pura acepção da palavra. Primeiro porque o Londrina é um time pequeno (que acha que é grande), e segundo porque o CAC surgiu outro dia, é novinho, bebê.
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Um clássico, no futebol, é quando entra em campo dois times tradicionais e historicamente rivais, como um Palmeiras x Corinthians, o FlaFlu, Grenal, Atlético x Cruzeiro, etc... Ou mesmo quando entram em campo times pequenininhos mas altamente rivais, como Londrina x Grêmio Maringá (Clássico do Café), ou times medianos, como Coritiba x Atlético Paranaense.
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E a nossa gloriosa crônica esportiva, aqui de Londrina, trata Londrina x CAC como um clássico... Eta, nós!!!
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Será que somos ignorantes? Eu, não. Na verdade, o senso de pequenez tomou conta da cidade, tudo é diminutivo, tudo é minúsculo, não se sonha no maiúsculo.
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É a mediocridade imperando, infelizmente! Veja o caso da Copa do Mundo no Brasil: a maioria das autoridades locais deveria lutar ou tentar transformar a cidade em uma das subsedes do torneio, mas simplesmente fizeram o que fazem sempre: nada. Apenas um deles levantou a bandeira: o deputado federal Alex Canziani – mas uma andorinha apenas não faz verão, né?
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Temos que sonhar alto, gente.
Nós somos do tamanho dos nossos sonhos!

Brasil: sede da Copa 2014

Ô, imprensa, vamos acordar?
Por que o Lula e staff, mais um punhado de governadores, já foram para a Suíça acompanhar, na sede da Fifa, a escolha da sede da Copa do Mundo de futebol de 2014? Ora, porque, de fato, o Brasil “já foi” o escolhido (candidatura única). Essa é a verdade!
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Se eles foram, é porque a escolha brasileira está consumada nos bastidores. Ninguém do alto escalão, principalmente quando se trata de autoridades, com um presidente da República, vai de véspera apenas para torcer. O fato realmente já está consumado.
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E ninguém, da chamada “imprensa light”, como é conhecido o jornalismo esportivo, abordou o assunto ou levantou essa bola. Cadê os badalados cronistas?
Falta capacitação profissional.

sábado, 20 de outubro de 2007

Só porque ninguém está ouvindo não significa que não deva ser dito.
(Shugueki)

domingo, 14 de outubro de 2007

"Tropa de Elite" deveria ser obrigatório nas escolas

O texto abaixo foi escrito pelo consagrado jornalista Gilberto Dimenstein, da “Folha de S. Paulo”, e vale a pena ser lido:

O filme "Tropa de Elite" deveria ser obrigatório nas escolas. Mais do que a envolvente denúncia da banalização do mal no Brasil, na qual policiais e bandidos se transformam em animais e criminosos, o filme provoca uma reflexão sobre a responsabilidade individual.
O inocente consumidor de maconha, sentindo-se conectado com a natureza ou com a leveza espiritual, ou o alto executivo que consome cocaína são apresentados também como sócios do tráfico --e com razão.
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É fácil apenas culpar o governo, a polícia, os traficantes, e assim por diante. Mais difícil é nos culparmos --e, aí, está, um dos problemas brasileiros. A culpa é sempre dos outros. Vejamos:
Muito mais do que as drogas, o que mais mata no Brasil é o álcool, uma das causas das 100 mortes diárias e mais de 100 mil feridos por ano no trânsito. Nem os publicitários nem os veículos de comunicação que exibem os anúncios de cerveja, com sedutores apelos, se sentem minimamente responsáveis por essa tragédia. A culpa? Só do governo.
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Um motoboy morre por dia apenas nas ruas da cidade de São Paulo (e mais 25 por dia ficam feridos). Isso porque contratam-se empresas irresponsáveis de entrega. Mesmo sabendo que já existe um selo de qualidade para moto frete. A culpa? Só do governo.
As pessoas emporcalham as ruas com lixo apenas porque não têm paciência de jogá-lo em algum lugar apropriado. Madames não se incomodam que seus cachorros façam das calçadas banheiros. A culpa? Só do governo que não limpa as ruas.
O governo sobe os impostos sem parar assim como contrata novos funcionários públicos sem parar. Pouco se faz contra essa extorsão. Nem mesmo sabemos como o orçamento é feito. De quem é a culpa? Do governo.
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Deputados, senadores, vereadores cometem crimes e fazem negociatas, mas pouco acompanhamos seus mandatos. Durante a campanha, preferimos o show do marketing do que a análise de propostas. Até nos esquecemos em que votamos. De quem é a culpa? Dos políticos.
Não quero deixar, claro, de responsabilizar os governos. Mas apenas dizer que, num mundo civilizado, todos deveriam saber quais são seus direitos mas também seus deveres. Isso é o básico de cidadania, cuja discussão o filme, através da droga e da violência, lança com alto teor pedagógico _--portanto, deveria ser obrigatório na escolas.
É um bom debate para que saiamos dessa adolescência da cidadania, com muitos direitos e poucos deveres.
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Assim como é obrigatório pensarmos que, no futuro, a droga não será um problema de polícia, mas apenas de saúde pública. Não sei se a repressão não acaba fazendo mais mal do que bem no combate ao vício.

Concordo plenamente com ele.

sábado, 13 de outubro de 2007

A vacina contra a dengue

Vamos ser realistas? Não há como vencer a dengue sem que se descubra um antídoto e se faça campanhas de vacinação em massa, como acontece com a bem sucedida Vacina Sabin (Poliomielite).
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Campanhas públicas que exigem participação popular no combate ao mosquito transmissor Aedes aegypti só exigem muito dinheiro e pequenino retorno prático. Isso porque o povo é ignorante por natureza. Uma pena!
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Mas há uma luz no fim do túnel: dia 12 de outubro o “Jornal Nacional”, da Globo, mostrou que cientistas brasileiros e franceses estão trabalhando numa fórmula que possa acabar de vez com este mal. E as perspectivas são muito boas. Vamos torcer!
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Até lá, os veículos de comunicação bem que poderiam debater mais esta questão da vacina, e até cobrar do nosso governo mais investimentos na área.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Ama/Comurb: a mesma coisa

Como disse também em posts anteriores, essa displicência da imprensa também foi bastante comum no auge do Caso Ama/Comurb, em 1999/2000. Na época, muitos jornalistas ficavam na salinha da promotoria pública para entrevistar os promotores quando estes tinham alguma denúncia a fazer, aí iam atrás dos denunciados para ouvir “o outro lado”, e depois arrotavam tudo nos microfones e imprimiam nos jornais. Pronto, achavam que o serviço estava eticamente completo e certinho!
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Será que tudo o que a promotoria denunciava tinha razão de ser? Será que não era necessário os repórteres pegarem alguns casos e investigarem diretamente antes de saírem por aí falando?
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Geeente, vamos tomar mais cuidado!!!!

Jornalismo sem investigação

Domingo a “Folha de Londrina” subliminou um ponto que eu já abordei aqui: o extinto “jornalismo investigativo” paranaense. Ninguém, nem mesmo a Folha de Londrina, pratica esta arte nobre e digna do jornalismo!
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A investigação dos fatos e das notícias é coisa do passado na grande imprensa do Paraná. De um modo geral, os jornalões e as principais emissoras de rádio e TV contentam-se em fazer o feijão-com-arroz. Quando muito plantam um setorista nas promotorias públicas para ver se pegam alguma novidade com exclusividade. Uma pena!
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Na outra ponta, vemos uma alta rotatividade de profissionais nas Redações, o que acaba implicando num baixo nível qualitativo do material produzido.
De um modo geral, os veículos de comunicação, verdadeiros “caolhos”, contentam-se com pouco e não se esforçam: relativizam os assuntos e deixam as matérias caírem na vala da mediocridade.
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No fundo, acho que foi isso que quis dizer o coordenador de cursos e projetos da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, José Roberto de Toledo, que esteve em Londrina semana passada realizando uma palestra exclusiva para os profissionais da Folha.
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Veja o que ele disse:
“Estamos evoluindo, mas ainda muito longe de chegar onde é preciso: nós, jornalistas, ainda temos muitas deficiências técnicas, temos empresas com deficiências de infra-estrutura e número de profissionais, e tudo decorrente da conjuntura que vivemos, que é algo que não vai mudar”.
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O conselho dele para os jornalistas:
“Buscar estar mais bem preparado para enfrentar essas realidades, estudar assuntos com os quais não está acostumado e aprender mesmo especialidades que parecem enfadonhas, mas que são essenciais. Em suma: o que vale é se aperfeiçoar ainda muito mais.”
Sabrina Sato diz: É verdade!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Um povo de cordeiros sempre terá um governo de lobos.

(Antigo dito popular)

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Tinha que ser outro gancho

O polêmico e controvertido Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, esteve em Cambé e Londrina no último final de semana. Domingo, concedeu uma entrevista exclusiva para a Folha de Londrina, que na segunda-feira publicou uma chamada e a matéria intitulada “O mensalão não existe mais. Não creio”, um título, aliás, bastante parecido com o do Jornal de Londrina daquele mesmo dia: “Jefferson diz que mensalão não existe mais”.
O JL usou a declaração que Jefferson deu durante o encontro estadual do seu partido, realizado sábado à noite.
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Mas o fato é que eu, pessoalmente, acompanhei a entrevista dele para a Folha, e particularmente acho que a declaração mais bombástica do ex-deputado petebista, cassado por causa das denúncias sobre o mensalão (expressão que ele mesmo cunhou), foi quando ele disse que está preparando o retorno do ex-presidente Collor de Mello, hoje senador por Alagoas.
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Jefferson disse, para a Folha, que Collor pode ser o candidato do PTB a presidente da República em 2014, e possivelmente contra o Lula, de novo, já que os dois concorreram e disputaram o pleito de 1988.
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Essa declaração, a do lançamento do Collor Presidente, é, a meu ver, mais importante que dizer que o mensalão não existe mais.
Por tudo o que fez e o que aconteceu com o Collor, cassado e execrado publicamente há 15 anos, essa informação era a verdadeira novidade, até porque o suposto fim do mensalão (será?) já havia saído em algumas emissoras de rádio no dia anterior. Já não era tão novidade assim.
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A Folha, pois, deveria publicar outro título, usar um outro gancho para a matéria.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O homem deve criar oportunidades e não somente encontrá-las.
(Francis Bacon)

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A antiética da ética

Em setembro de 2006 o curso de Jornalismo da universidade Unopar, de Londrina, realizou o seminário "A Ética e a Construção da Notícia". Alguns convidados especiais do jornalismo local compareceram para debater e muito estudante apareceu e lotou o auditório do local, mas após o evento a pergunta continuou sem resposta: existe ética no jornalismo?
***
Eu cheguei a fazer um ensaio sobre o tema, que “quase” foi lido naquele dia.
Agora que abri este blog, quero compartilhá-lo com você.
Leia e depois poste um comentário a respeito. Eu agradeço!

A antiética da ética

Noite dessas estive na universidade Unopar para assistir a um debate sobre a “ética na construção da notícia”, um bate-papo do curso de Jornalismo que, para mim, não trouxe grandes novidades.

É bom, porém, que se discuta como tentar praticar jornalismo com o máximo de ética, mas uma coisa é certa: não acredito na prática da ética. Ética só tem no dicionário!

A ética e a antiética fazem parte do caráter humano, é normal, é natural. O mundo tem 6 bilhões e 400 milhões de pessoas: 6 bilhões e 400 milhões de antiéticos!
Éticos, na face da Terra, somente os bichos, os animais “irracionais”. A partir do momento que passamos a ter racionalidade, ganhamos a antiética de presente. É do espírito! Os bichos, não: eles simplesmente matam para sobreviver – e isso é perfeitamente ético no mundo deles!

Ética pela metade não existe! Ou é ou não é – mas nunca é.
Diga: quem nunca mente? Você já mentiu? (olha... não minta!)
Mentir é antiético! Então, todos nós estamos nessa. Taí a prova!

A antiética vale para as nossas vidas pessoais, sociais e profissionais. Não existe nenhum profissional que voluntária ou involuntariamente não tenha recorrido, em algum momento (ou até constantemente, nos casos mais graves), à “falta de ética”. Normal, afinal, o ser humano obriga-se a viver numa perigosa e desafiante selva social, e para nela sobreviver precisa usar de artimanhas.

Naquele debate da Unopar não tive a oportunidade de falar aos presentes. O microfone me foi negado por causa do “avançado” da hora (será que foram antiéticos comigo?), mas se eu a tivesse iria colocar essas palavras aí de cima, apenas para alertar e fazer as pessoas pensarem, principalmente os sonhadores acadêmicos, quando fossem colocar a cabeça no travesseiro.

Então, nada de hipocrisia, né, gente? A ética, pois, só no papel!
Se eu pudesse aconselhar qualquer um, de advogado a dentista, de médico a assistente social, de contabilista a jornalista, de político a professor, diria que todos nós – humanos de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo – temos a obrigação de pelo menos “tentar” ser o mais ético e o menos antiético possíveis. Se conseguirmos pelo menos tentar, estaremos contribuindo bastante para alcançarmos uma sociedade bem mais civilizada.


MARCELINO JR.
Jornalista - Londrina

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Faltou perguntar ao deputado

O deputado federal Luiz Carlos Hauly, do PSDB, deu uma destacada entrevista para a “Tribuna do Norte” (Apucarana-PR) de domingo, dia 23, sobre a famigerada CPMF. Na Medida Provisória do Governo, que foi a votação na Câmara dos Deputados recentemente, ele votou contra a sua prorrogação.
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O problema é que o jornal não perguntou pra ele, na reportagem, por que ele então teria apoiado o famigerado imposto quando foi da base de apoio do Governo FHC, chegando a ser, inclusive, um dos vice-líderes do Governo.
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Foi Fernando Henrique que veio com essa estória de CPMF, quando ainda era ministro da Fazenda no Governo Itamar, em 1993. Na ocasião, a CPMF atendia pelo nome de IPMF, e a alíquota era de 0,25%.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007


Vire o rosto em direção ao Sol e as sombras ficarão para trás.

(Jan Goldstein)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Nada como um dia atrás do outro

O eloqüente senador paranaense Álvaro Dias (PSDB) estava criticando incisivamente a “perversa” CPMF, durante uma entrevista hoje de manhã para a Paiquerê AM de Londrina, quando o comentarista Fernando Brevilheri indagou: “O PSDB apoiou a criação da CPMF no governo passado?”
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Meio desconcertado, o senador tucano respondeu que sim, mas justificando que na época era para ajudar a saúde do Brasil, “e que no fim não ajudou em nada...”
Quer dizer: não ajudou em nada naquela época e nem agora!
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Parabéns ao Fernando e à Paiquerê pela pergunta. São poucos os jornalistas que têm presença de espírito. (Todos têm espírito, mas alguns andam ausentes...)

sábado, 1 de setembro de 2007

Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos, apenas duramos.
(Padre Antonio Vieira)

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Medo impera

Outro problema da imprensa: medo!
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Ontem, 30 de agosto, marcou 19 anos da “Batalha do Iguaçu”, quando milhares de professores da rede estadual de ensino foram protestar contra o Governo do Estado em frente ao Palácio do Iguaçu, sede do Governo em Curitiba.
No local, forma recebidos com violência pela Polícia Militar, autorizadas pelo então governador Álvaro Dias, hoje senador. Os professores estavam em greve faziam 55 dias.
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O Jornal de Londrina de hoje publicou um texto-legenda para lembrar do protesto ocorrido, até porque os professores marcaram a data da “batalha” realizando ontem uma manifestação em algumas localidades, inclusive em Londrina. Era o Dia de Luto e Luta dos Educadores Paranaenses, que deixou 500 mil alunos sem aulas em todo o Estado.
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A falha do jornal: não dizer quem era o governador da época. O mesmo pecado foi cometido pela Tribuna do Norte, de Apucarana, e pela Rádio Paiquerê AM de Londrina, que fez uma reportagem com os professores, via Carlão Oliveira, mas não disse quem era o governador que autorizou a PM a bater.
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Exceção, porém, à Gazeta do Povo e à Folha de Londrina, que também abordaram o assunto mas disseram quem era o governador.
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Parabéns à Gazeta e à Folha, de novo! É a segunda congratulação de hoje pela postura da Folha...

Cadê o empenho?

Ontem tratamos da falta de empenho da imprensa de Londrina e do Paraná para investigar e divulgar a relação dos postos de combustíveis que estavam passando a perna no consumidor.
Falta empenho sim, mas hoje a Folha de Londrina, para a minha grata surpresa, publicou a lista.
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Parabéns à Folha pela iniciativa – que faltou ontem.
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Aproveitando a brecha, veja a relação dos postos publicada pelo jornal.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A Imprensa e a Medusa

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná realizou ontem uma megaoperação, o “Medusa 3”, através da qual foram presos 14 donos de postos de combustíveis de Londrina e região, que estavam sendo denunciados por formação de cartel, alinhamento de preços, sonegação fiscal, corrupção, estelionato e crime econômico, entre outros crimes.
A imprensa toda esteve lá cobrindo. Rádio, jornal e TV. Mostraram algumas prisões e entrevistas com policiais e a coletiva do secretário Luiz Fernando Delazari.
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De novo, porém, a imprensa ficou devendo. Por que não entrevistaram os outros donos de postos de combustíveis que dizem terem sofrido ameaças do bando agora preso? Os depoimentos deles não eram importantes para as pessoas?
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Além desse papelão, a imprensa também pisou na bola ao não divulgar o nome dos postos de combustíveis cujos donos estavam sendo denunciados e presos. Divulgaram apenas o nome dos detidos, mas para o consumidor, é mais importante saber quais são os postos que o estavam enganando.
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Hoje de manhã, algumas emissoras de rádio de Londrina receberam cartas e mensagem por email de ouvintes pedindo a relação dos postos, e ninguém sabia informar.
Fernando Brevilheri, comentarista da Rádio Paiquerê AM, leu algumas dessas mensagens e simplesmente disse que a polícia não forneceu o nome dos estabelecimentos.
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Parece que a imprensa de hoje em dia apenas reproduz o que os outros falam. Como já disse em post anterior, infelizmente acabou o chamado “jornalismo investigativo”, tão comum nas décadas de 50 e 60, por exemplo. Uma pena!
***Não era o caso de ficar esperando a polícia dar o nome aos bois! Era o caso, sim, de os repórteres irem atrás investigar, levantar o nome dos postos para depois mostrar para seus ouvintes, leitores e telespectadores. Mas ficaram na mamata, apenas reproduzindo o que as autoridades lhes forneciam.

O agente corruptor

Depois de 16 anos de política, posso afirmar com grande convicção que o povo é mais corrupto que os políticos. Aliás, fazemos jus àquela máxima de que os políticos são a nossa imagem e semelhança.
Isso vale para o Brasil e para o mundo!
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Já cansei de ver, ouvir e me contarem de situações contraditórias, imorais e antiéticas praticadas pelos cidadãos. São inúmeras pessoas que chegam nos gabinetes pedindo dinheiro aos políticos para resolverem suas situações particulares. Em troca, esses desalmados oferecem "tantos" votos na eleição.
***
Pessoas encostam no político pedindo um aparelho de DVD e querem pagar isso oferecendo 5 votos. Uma outra, acompanhada da filha, vai lá e quer uma passagem de avião para Paris, ida e volta, para ela e para filha, e em troca dá 8 votos. Outra, que quer ser advogada (olhe só!), quer passar no concurso da OAB e pede pro político dar um "jeitinho"...
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E assim o mundo vai tocando a sua vida, e infelizmente sem as Redações da mídia se atentarem para tamanhos descalabros morais que partem do próprio povo. Eu mesmo já fiz essa sugestão de pauta para alguns veículos, mas nada.***Comportamentos do gênero tem um nome: corrupção ativa. Quem tenta corromper é corruptor ativo. É o grande vilão da moralidade!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Coração de político

Um dos ícones do Mensalão, o ex-deputado federal José Janene (PP), paranaense de Londrina, não deixa de freqüentar as rodas políticas de Brasília e continua a articular muito pelos bastidores do poder, apesar de se encontrar, em tese, com problemas no coração, inclusive com recomendação médica para se afastar das atividades políticas.
***
O Jornal de Londrina, numa matéria sobre a inclusão de Janene na lista dos 40 denunciados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não lembrou este fato, até mencionado esta semana mesmo pelos principais jornais do país, incluindo a Folha de S. Paulo.
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No JL, Janene alega que deixou a política por problemas de saúde, mas a Folha de S. Paulo constatou que semana passada mesmo o ex-deputado esteve no Congresso Nacional participando de importantes articulações do seu partido.
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Faltou ao JL a menção a este fato.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

De todos, sem distinção

O Jornal de Londrina de ontem publicou algumas contas dos deputados federais que têm base eleitoral em Londrina. A matéria focava a moralidade da transparência pública.
Dos quatro, apenas Alex Canziani (PTB) e Barbosa Neto (PDT) apresentaram os valores solicitados pela repórter Stella Meneghel. Faltaram as do André Vargas (PT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB), que não explicaram por que não repassaram os números.
***
Mas tem uma questão maior: como (e)leitor londrinense, gostaria de ver as contas de todos os 30 deputados federais do Paraná, afinal, todos eles tiveram voto em Londrina.
Pensando bem, seria bom o JL mostrar também as contas dos 54 deputados estaduais e dos 3 senadores. Ah, sim: também os valores gastos pelos 18 vereadores.
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Não é pedir muito. Poder-se-ia publicar um pouco por dia, se o problema for a falta de espaço para colocar tudo numa edição só.
O manual do bom jornalismo mostra que, pelo bem da democracia e principalmente da justiça, tudo de todos devem ser mostrados para todos.
Por enquanto, o JL ficou devendo.

sábado, 25 de agosto de 2007

O dinheiro do PAC chega quando?

O Lula vaio ao Paraná, sexta-feira, para anunciar o seu PAC de investimentos no Estado. Foi aquela festa, aquela pompa toda, muitos políticos em torno do rei, etc e tal.
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Foram anunciados mais de R$ 1 bilhão para serem aplicados em 35 municípios paranaenses.
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Sabe-se que o PAC Federal são recursos para serem usados em cerca de 4 anos, mas quando essa grana vai começar a ser utilizada? Afina, para aplicar ou para gastar, precisa começar.
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Incrível, mas ninguém da imprensa perguntou isso ao presidente e nem para o governador Requião, que o estava ciceronendo naquele dia.
A gente precisa saber! A imprensa, mal acostumada e na preguiça talvez, nem se dignou a praticar o lead.
São algumas perguntas básicas que deixaram de serem feitas pelos repórteres e pelas Redações: a principal delas é justamente essa: quando vai começar a chegar esse 1 bî? Já começou? Vai ser a semana que vem? No ano que vem? Por onde começa primeiro? Esse dinheiro vai chegar de uma vez só ou em partes?
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O único jornal que se aproximou disso foi o jornalão "Gazeta do Povo". No dia seguinte à visita presidencial, o repórter José Marcos Lopes intitulou a sua matéria assim: "Visita de Lula não é garantia de que os recursos saiam integralmente".
Ele se referia à crítica situação do novo Laboratório Central do Estado, em São José dos Pinhais, inaugurado por Lula em 2004 mas que até agora está sem situação precária, apesar da promessa de se investir R$ 10,8 milhões na obra, mais R$ 1,6 milhão do Estado.
Mas a reportagem não saiu disso também. A Gazeta e os demais veículos precisam ir mais a fundo em suas pautas.
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A imprensa realmente continua muito falha!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Mais uma praça

A Prefeitura de Londrina vai ajudar na construção de uma praça que marcará o centésimo aniversário da imigração japonesa no Brasil. Pelo que está sendo anunciado, vai custar cerca de R$ 800 mil no total, incluindo parte da iniciativa privada.
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Trata-se, na verdade, de mais uma homenagem de Londrina aos merecidos e dedicados japoneses, que já têm, na cidade, a Praça Nishinomiya, a Praça da Associação Odontológica e o Parque Deisaku Ikeda.
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A nova praça está prevista para ser erguida em um terreno nobríssimo, no centro da cidade. Daí a pergunta: precisa ser naquele local? Por que não usá-lo para construir um equipamento público mais útil e benéfico à comunidade?
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Não que uma praça não seja útil, mas ter mais uma praça para abrigar desocupados, bandidos, vândalos, pedintes e pessoas suspeitas, principalmente durante a noite (embora de dia também seja um fato comum), não vai ser muito bom. Ainda se a Prefeitura garantisse a conservação do local, e a polícia garantisse a segurança, vá lá, mas...
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A imprensa local está muda e calada a respeito. Ninguém abre a questão para debate.
A gente leva da vida a vida que a gente leva.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Força comercial

Por que a imprensa de Londrina ficou calada no Caso Muffato/Madre Leônia?

Os reis da verdade

Ano que vem é ano eleitoral, e muitos jornalistas que se consideram os bam-bam-bam da política logo logo vão começar a se assanhar.
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Depois de 16 anos atuando nos bastidores da política londrinense e paranaense, percebi que muitos deles não entendem bulhufas. E o pior é que ficam arrotando besteiras em rádios, jornais, TVs e internet!

Administração de terceira

A Prefeitura de Londrina tem mais de uma centena de contratos terceirizados - talvez duas centenas. E a Imprensa do Paraná pouco toca no assunto. Ninguém vai atrás e levanta a lebre. Será que não tem nada de errado ali?
Se tiver tudo certinho, então diga aos quatro ventos: TÁ TUDO CERTO NA PREFEITURA DE LONDRINA!
O fato é que o excesso de terceirizações, por si só, já uma notícia e tanto, mas não pode parar só por aí. Tem que aprofundar!
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Bons tempos aqueles em que tínhamos um abnegado "jornalismo investigativo"... Os jornalistas do ramo eram verdadeiros heróis!
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Hoje, muitos jornalistas se contentam em freqüentar os ministérios públicos da vida para coletarem informações. Passaram o bastão da investigação para os promotores.
Isso é ruim, porque a investigação jornalística fica falha, incompleta e não contribui em nada para a verdadeira comunicação. Isso aconteceu bastante, por exemplo, durante o Caso Ama/Comurb, em Londrina, em 1999-2000.
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Não culpo tanto os jornalistas. São as empresas de comunicação as grandes vilãs, são elas que enxugam com muita regularidade os seus já exíguos quadros profissionais - o que leva os pobres jornalistas a acumularem funções e mais funções dentro das Redações, o que, por sua vez, provoca estresse e compromete a sua auto-estima.. Uma pena!

Criança... esperança... de quem?

Hummm, esse negócio da campanha "Criança Esperança"...
Quando li a letra miuda que aparece na tv percebi que pra darmos esperança a nossas crianças temos que antes ajudar as companhias telefônicas e o governo. A gente paga R$ 0,27 pras empresas dos telefones + os impostos para o governo. Isso quando é de telefone fixo. Se for de celular a ligação sobe pra R$ 0,50, mais os impostos.
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Será que eles precisam mais que as nossas crianças? Tem caroço neste angu!
Tanto as telefônicas quanto o governo poderiam também colaborar com a campanha, promovida todo ano pela Globo. Bastava reverter essa graninha das taxas pro próprio programa!
ATO FALHO: Por que ninguém da imprensa toca no assunto? Por que os veículos de comunicação não questionam isso? Só porque a promoção é da poderosa Globo?
Somente a Paiquerê AM, através do comentarista Fernando Brevilheri, mencionou o caso, e ainda assim porque um ouvinte mandou uma cartinha pra ele mostrando a sua indignação para com o caso. Mesmo assim, valeu, Fernando!

A reforma do Arthur

Segunda-feira passada a Rádio Paiquerê AM, de Londrina, mandou pro ar uma reportagem sobre a revitalização do Parque Arthur Thomas - uma nobríssima área verde que está sendo muito mal cuidada pela Prefeitura daquela cidade.
Foi a enésima vez que a Paiquerê falou sobre o assunto, que não dá em nada. O Carlão, dono da reportagem, disse que o polêmico secretário do Meio Ambiente, Gérson da Silva, prometeu a entrega das reformas até o final do ano... mas não perguntou de que ano.
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A tal da revitalização não sai do papel. Vai custar R$ 600 mil, sendo R$ 500 mil do Governo federal, obtidos por intermédio do deputado federal Alex Canziani.
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A grana federal já veio, está na agência da Caixa em Londrina desde 28 de dezembro de 2005, e se demorar mais um pouco a Prefeitura vai perder a grana e o projeto.
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Em entrevistas anteriores sobre o mesmo assunto, concedidas alguns meses antes, o próprio secretário havia dito que o projeto está encalhado no Ministério do Turismo, e o reafirmou agora na Paiquerê, novamente.
Por que está parado lá? Vai atrás, então!
ATO FALHO: A Paiquerê já tinha falado da dita revitalização em reportagens anteriores. Por que, então, não recuperou a informação sobre o atraso nas obras para atualizar o seu ouvinte?

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Colunismo sem padrão

O colunismo social é caracterizado pelo chamado “jornalismo light”, isso porque não trata de fatos dramáticos, polêmicos, policialescos e até sanguinários. Não entra na seara econômica e muito menos na política, e também não questiona as causas sociais. Este tipo de segmento, porém, não deixa de ter o seu valor jornalístico.
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As seções ou colunas sociais têm um aspecto mais publicitário e basicamente personifica a notícia, com ênfase à chamada “alta sociedade”. Trata do glamour, do mundo em que vive as “socialites” e os colunáveis.
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Até aí acho normal, pois até a alta sociedade precisa aparecer, ainda que carregada de notícias positivistas... O que eu questiono são os critérios para a publicação de determinadas informações.
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Acho que alguns colunistas abusam quando exigem de suas fontes determinadas posturas para a publicação de notas de interesse delas (fontes), sejam em relação ao texto ou às fotografias que são encaminhadas às colunas.
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Mas o pior é quando se exige de umas e não de outras. Isto é comum e vemos quase todos os dias nos jornais – o que pode descambar para o preconceito e para a discriminação.
Vai entender...

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Despecializados

A imprensa de Londrina e do Norte do Paraná carecem de jornalistas realmente especializados em política. Aliás, no Paraná temos pouquíssimos bons no ramo.
Dia 11, por exemplo, houve em Londrina um encontro importante envolvendo o ex-prefeito Wilson Moreira, os deputados federais Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT), vereador Tercílio Turini (PPS) e alguns empresários. Assunto: Eleições 2008 em Londrina.
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O que foi divulgado pela imprensa é que o respeitado e sisudo Moreira fez a reunião em sua casa para tentar construir uma chapa de consenso que enfrentasse, com condições de vitória, o duo Belinati/PT, que anda se revezando na Administração municipal desde a eleição de 1992.
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O que não foi mencionado pela imprensa, nem mesmo a nível estadual, é que este propagado encontro pode ter sido articulado a pedido do próprio Hauly, que teria interesse em ser cabeça-de-chapa numa composição com Barbosa Neto mas precisava de terceiros para convencer o pedetista.
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O leitor, ouvinte e telespectador têm todo o direito de estar a par de todas as facetas políticas, e cabe à imprensa mostrar tudo, mas isso não aconteceu.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007



Nada se esquece mais lentamente que uma ofensa e nada se esquece mais rápido que um favor.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Vou contar uma estorinha:

Um dia um político trouxe para Londrina um famoso secretário nacional de segurança. Ele veio para fazer uma palestra muito importante sobre o trabalho que estava sendo feito em sua área.
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O assunto foi bem “vendido” para a Globo/Coroados, que resolveu fazer uma entrevista ao vivo com o sujeito.
Um pouco antes de entrar no ar, a repórter Chiquinha avisou o entrevistado: “nada de falar de nome de político durante a entrevista”.
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Eu estava do lado e ouvi, mas não entendi o por quê disso.
Resultado: a reportagem falou que o cara veio pra palestra mas não falou quem estava promovendo o evento. Não faltou “lead” aí?
***
Outra falha da poderosa e temida Globo! Isso faz parte do PGJ (Padrão Globo de Jornalismo)?

PS: não citei o nome do político aqui pra deixar a estória ainda mais interessante, e pra não dizer que eu estou a serviço de alguém.

sábado, 4 de agosto de 2007

Santa Cecília

No dia 2 o expressivo jornal "Valor Econômico", de circulação nacional, soltou uma manchete sobre a "Cidade Digital", referindo-se a um projeto que está sendo realizado na pequena cidade de Santa Cecília do Pavão, no Norte do Paraná.
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É um projeto muito interessante, que foi idealizado pelo deputado federal Alex Canziani, do PTB do Paraná, e prontamente aceito pelo prefeito Edimar dos Santos, que botou a idéia pra funcionar junto com o parlamentar.
A proposta é informatizar toda a cidade, incluindo repartições públicas, escolas, creches e outras instalações, começando por interligar toda a cidade através da internet sem fio. Quem tá na pracinha da igreja, por exemplo, pode pegar o seu notebook, navegar, enviar e receber emails, por exemplo. Legal, né?
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Só que o jornal não citou, em nenhum momento, o nome do pai da idéia.
Pelo manual do bom jornalismo, tinha que citar sim, até por questão ética e em nome do bom senso, você não acha?
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O pior, porém, ainda estava por vir.
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A TV Coroados de Londrina, afiliada da poderosa Rede Globo que alcança todo o Norte do Estado (inclusive a região de Santa Cecília), já sabia do Cidade Digital havia pelo menos dois meses, mas engavetou a pauta e sabe-se lá por quê! Talvez por soberba.
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Depois que a matéria saiu em circulação nacional no Valor Econômico, dia 2, eles resolveram desengavetar para recuperar. Somente assim viram que o assunto valia a pena.
O material, bem produzido, foi ao ar dia 5 em rede estadual, e acabou repetido no dia seguinte em outro telejornal estadual da emissora.
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Pauteiros: encostar pauta é erro crasso de jornalismo! Tudo o que acontece em volta da gente é notícia, a questão é saber o seu grau de importância.
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Outro erro da Coroados, também igual o do Valor Econômico: a TV não deu crédito para o autor da idéia do projeto Cidade Digital. É o mesmo que falar que o avião foi inventado mas não dizer quem foi o seu inventor...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Pouco conhecimento faz com que as criaturas se tornem orgulhosas. Muito conhecimento, que se tornem humildes.
(Leonardo Da Vinci)