terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Nada a comemorar

Vergonhosa a Folha de Londrina especial e o Jornal de Londrina, também especial, deste dia 10. Tá certo que ontem Londrina estava comemorando 73 anos, mas não precisava os dois diários da cidade fazerem edições comemorativas cabotinas. Precisavam?
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A Folha publicou 32 páginas; e o JL, 18. Tudo muito bonito, com boas fotos, bons textos. Londrina estava linda...
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Já é tradição os diários fazerem edições especiais enaltecendo a cidade no dia do seu aniversário. No fundo, quem é do meio sabe que esses exemplares só têm um propósito: faturar. Ganhar dinheiro.
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Essas edições em nada contribuem para o bom jornalismo, porque não mostram a realidade. Falseiam. Mostram um ideário lógico e belo, mas muito utópico, e escondem a realidade.
Em ambos os jornais não se falou dos crimes e da violência do cotidiano, não se falou das trapalhadas de uma Administração municipal que peca pelo que faz de errado e pelo que nada faz. Não mostra os problemas das creches e das escolas de ensino fundamental. Nada fala da nota baixa do Ideb.
Os dois diários passam ao largo das ruas esburacadas, dos terrenos públicos baldios, da mendicância das esquinas e das crianças abandonadas e dormindo ao relento.
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A Folha recrutou cerca de 13 jornalistas para realizar a edição – a grande maioria contratada como free-lancer, apenas para cobrir a festiva data. Dentre eles estava até um jornalista que faz parte da suspeita Assessoria de Imprensa da Prefeitura, já que a Administração municipal, mais o seu braço-direito financeiro, a onipresente Sercomtel, foram os maiores anunciantes da edição. (Quanto isso custou para nós, hein?)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

A informação é a maior fonte de poder.
(Byron de Sousa)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Pedágios baratos para sempre?

O Governo anunciou pedágios baratos nas rodovias federais, através da concessão das estradas para a iniciativa privada. A questão é saber se o preço do pedágio será baixo para sempre.
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Não adianta nada cobrar pouquinho no começo mas aumentar gradativamente ao longo do tempo. Num país com a economia estabilizada e o dólar barato (moeda da hora das indústrias petrolífera e asfáltica), não há por que ficar aumentando o preço demasiadamente.
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A questão é que quase toda a imprensa falou do pedágio barato, mas não falou sobre “até quando” será barato. E também não questionou se o pedágio em si é justo ou injusto para quem já paga alta carga de IPVA.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Editoria de Educação

Por unanimidade, a educação foi eleita como a mais importante na vida e na formação das pessoas. Sem educação de qualidade as pessoas não evoluem e o desempenho social e econômico também não cresce.
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Se é assim, por que os veículos de comunicação não abrem editorias especiais sobre o tema, as “editorias de educação”? Tem assunto de sobra!
Assim como as editorias políticas, de esportes, de cultura, a educação também deveriam ter a sua.
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Se pensassem e abrissem este espaço, a mídia estaria contribuindo bastante para a evolução do país, da Nação, porque quem lê jornal, assiste à TV e ouve rádio são, em tese, formadores de opinião, então...
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A imprensa fala muito da importância da educação, mas pouco faz de prático a respeito. Cadê a sua responsabilidade social?

domingo, 2 de dezembro de 2007

Corinthians não pode cair

Sou palmeirense, aliás, já fui muito “roxo” (hoje, não). Então, como palmeirense deveria torcer pela queda do Corinthians para a Segundona do Campeonato Brasileiro... que delícia...
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Mas, pensando bem, não vou torcer. Pelo contrário: vou torcer a favor do tradicional adversário. Falo sério!
Não quero que o Corinthians caia, sabe por quê? Porque se cair o time vai bombar de popularidade nos rincões do Campeonato Brasileiro da Série B. Vai fidelizar um maior número de torcedores e, aí, pode se tornar, de fato, o time disparadamente com maior torcida do país (hoje é o Flamengo). E aí, será de doer...
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Se cair, o time evidentemente vai voltar um dia para a Primeira Divisão, e bombado por uma torcida maior. (Agüentar corintiano nestas condições não vai ser mole...)
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Não existe nenhuma pesquisa comprobatória de que sendo rebaixado o time aumenta a torcida. Existe apenas uma sensação pessoal, minha. Sensação que tive quando o Palmeiras jogou a Segundona, em 2003. Sensação que tive quando os rebaixados Grêmio (2005) e Botafogo (2003) também mostraram, e sensação que não tive quando o Fluminense usou o tapetão pra voltar à elite do futebol, em 2000.
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Voltando ao Palmeiras: não ocasião da sua Série B, o Verdão fez um de seus melhores campeonatos e terminou campeão. Campeão no campo e na arquibancada, onde bateu recordes e recordes de arrecadação.
No ano seguinte (2004), retornou à Série A com a torcida revitalizada e, por extensão, com mais fiéis.
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Posso exemplificar o que escrevo usando o próprio Corinthians de 1977. Até 1954 era um time comum, mas ficou 23 anos sem ganhar um título sequer e, quando isso aconteceu, a massa torcedora estava entorpecida, bombada, revitalizada. Por causa disso tornou-se o segundo time com maior torcida (e a mais chata e odiada) do país.
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Não sou um expert em esportes, mas onde andam os tais comentaristas esportivos que não perceberam isso ainda? Ninguém levantou a bola para uma discussão ou um debate em torno do assunto!

sábado, 1 de dezembro de 2007

DVD original pirata

A pirataria de CD e DVD só vai começar a ser combatida de verdade se o governo reduzir a carga de impostos sobre o produto e se as gravadoras enxugarem as muitas gorduras do seu preço de produção. E também se as partes que compõem a cadeia de produção (atores, diretores, cantores, músicos, etc.) também reduzirem um poucos os seus ganhos.
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Mas não é o que parece achar o cinéfilo Marcos Petrucchelli, com a complacência da apresentadora da CBN Tânia Morales, do Rio de Janeiro.
Não faz muito tempo Petrucchelli participou de um pequeno debate com a Tânia no programa CBN Total, dentro do quadro sobre cinema. Para os dois, a pirataria é caso de polícia e também tem que ser combatida diretamente pelo consumidor.
E mais: culparam o alto preço cobrado nas bilheterias dos cinemas, o que estaria induzindo o consumidor a procurar o pirata.
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Na verdade, isso é muito relativo. A ganância é o que aflora sobre a questão. Ganância do governo e das gravadoras, principalmente.
Hoje um DVD original custa, no lançamento, em torno de R$ 35,00 a R$ 50,00, e os piratas giram em torno de R$ 5,00. É muita diferença pro consumidor ficar bonzinho...
O original é aviltante e por isso deixa o consumidor com cara de otário!
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Chega de hipocrisia, inclusive da imprensa! Se um DVD verdadeiro custasse realisticamente em torno de R$ 15 a R$ 20,00 no lançamento, com certeza o povo seria verdadeiramente bonzinho e o compraria, e assim acabaria com a indústria da pirataria. Pode acreditar! E nem precisaria gastar rios de dinheiro com campanhas e mais campanhas pra dizer que “pirataria é crime”. Explorar a economia popular também é crime!
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O quadro do CBN Total pecou porque não abordou todas as nuances da questão. É um assunto muito delicado e profundo que não fica apenas nas superficialidades do moralismo da população, ou no preço dos ingressos do cinema.
As dificuldades são como as montanhas. Elas só se aplainam quando avançamos sobre elas.
(Provérbio japonês)