sexta-feira, 30 de novembro de 2007

As propagandas da Sercomtel

Aconteceu aquilo que muita gente queria e torcia: ver onde e quanto a companhia telefônica de Londrina, a Sercomtel, gasta de publicidade. Para quem não sabe, são R$ 15 milhões utilizados em dois anos.
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Alguns poderosos da cidade tinham em mãos números a respeito haviam pelo menos cinco meses, mas temiam expô-los por causa das subjetivas conseqüências políticas que isso poderia acarretar – para si e para a cidade.
Todo mundo sabe que a Sercomtel, uma empresa pública municipal, é a menina-dos-olhos da Prefeitura. É onde fica a polpuda grana das assinaturas básicas que teimam em não acabar – o londrinense que tem linha de telefone da Sercomtel já começa o mês devendo pelo menos R$ 40,00 para a companhia. Um absurdo!!
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Foi preciso aparecer uma vereadora corajosa, a Sandra Graça (PP), para botar tudo às claras. E aí o circo pegou fogo!
Os nomes dos principais veículos de comunicação beneficiados apareceram, os valores recebidos por eles também. Algumas emissoras de rádio noticiaram o fato, algumas TVs e o Jornal de Londrina também, mas a “gloriosa” Folha de Londrina, a que mais recebeu entre os jornais, fez ontem uma materinha chifrim, an-passant, sem muitos detalhes, apenas pra dizer que está praticando jornalismo. (Justo a Folha, que confunde a sua própria história com a da cidade...)
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Na verdade, a qualidade editorial da Folha de Londrina caiu bastante nos últimos quatro meses. Precisa melhorar muito se quiser conquistar novamente a confiança dos leitores.
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Sobre as publicidades da Sercomtel propriamente dita, fica a pergunta: por que gastar R$ 347 mil com a desligada TV Antares, cujas ondas mal saem do centro da cidade? Agora a Sercomtel diz que não foi esse valor, e corrigiu para “apenas” R$ 69 mil... Mesmo assim, porque gastar essa grana com uma TV que mal está instalada?
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Por que aplicar R$ 113,5 mil no desconhecido jornal “Folha Norte”, um jornal de bairro que só circula na região norte da cidade e que mais parece órgão oficial do PT e dos petistas lotados no poder?
Por que gastar com um pseudo-jornal chamado “Londrina Sul”, que teoricamente atende os bairros da Região Sul? Nem o valor eles divulgaram, mas sabemos que no ano passado foram R$ 14 mil, e até maio deste ano foram pagos mais R$ 10,5 mil.
E há ainda uma lista grande de jornaizinhos picaretas que recebem até que uma boa graninha da fabulosa companhia telefônica...
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Que tipo de retorno publicitário isso dá? Não é muita grana? Será que o dinheiro não está tomando outro caminho? Acho que não, né?
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As respostas, entretanto, deverão vir nas próximas semanas, já que, por causa de tantas denúncias, a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Londrina (antiga PIC) entraram na parada e vão investigar. Hoje mesmo eles apreenderam documentos (busca e apreensão) da empresa.
Vamos ver o desenrolar dos fatos, e esperar que a imprensa faça o dever de casa: divulgar tudo!

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