segunda-feira, 28 de abril de 2008

Mídia contra aposentados privados

O meu ex-chefe de Redação no Jornal de Londrina, Luiz Lorencetti, obcecado pelas questões previdenciárias brasileiras, dá um cutucão na grande imprensa por ela criticar dois projetos de lei aprovados no Senado.
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Ambos beneficiam os aposentados privados, mas não é o que acha a maioria da Imprensa – percebeu o “Chuverão” (apelido do Lorencetti).
Veja mais aqui.

sábado, 26 de abril de 2008

O Caso Isabella e a mídia irracional

O Caso Isabella está passando dos limites! O sensacionalismo da mídia em torno do assunto já cansou, mas ela insiste – principalmente as tevês.
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O conceituado jornalista Délio César também compartilha da nossa opinião, que foi postada aqui dia 15 de abril. Veja o que ele apropriadamente escreve sobre o caso em seu blog www.deliocesar.jor.br:

RECONSTITUIÇÃO DO CRIME...
O que eu penso sobre essa falada reconstituição do crime da menina Isabella? Sou contra e considero que tudo isso que a maior parte da imprensa anda fazendo em torno do caso é a negação de tudo o que eu penso sobre jornalismo sério, responsável e confiável. Não acompanho nada disso, apenas me limito a uma ou outra informação dos jornais ou telejornais, que faz parte da minha vida. Mas, mesmo de longe, vejo cada barbaridade que andam cometendo, especialmente na tevê, que fico até envergonhado com a profissão.

Reconstituição de crime é algo que pode ser importante sim, mas isso é raro. Pra quem não sabe, sou um ex-criminalista e fiz cerca de 50 júris em minha curta vida como profissional da advocacia. Atuei em júris importantes, alguns comentados até hoje, em Londrina e em diversos municípios da região. Tenho lembrança de uma única reconstituição que requeremos (o mestre Vitório Constantino e eu, ainda acadêmico) porque, no caso, era realmente indispensável.

Estamos diante de um homicídio, portanto um julgamento de competência do Tribunal do Júri. Em um caso como esse da Isabella, com a idade de duas das minhas netas, a reconstituição carnavalesca de nada adiantará, apesar de fecharem ruas e até proibirem tráfego aéreo nas proximidades.
É o que a experiência me recomenda transmitir aos que me lêem. Tenho dito, senhoras e senhores jurados!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Folha condena original caro

O editorial da “Folha de Londrina” de hoje matou a pau. Trata da pirataria de CDs e DVDs e o contraponto dos altíssimos originais, o que estimula ainda mais a primeira.
O Jornal propõe “um ponto de equilíbrio nos preços. Não tão baixos e nem tão altos”, a fim de que o consumidor tenha preferência pelos verdadeiros e desestimule os paralelos.
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É isso mesmo, nada mais ponderado. Aliás, este é um assunto que eu já havia abordado aqui neste blog, sob o título “DVD original pirata”.

domingo, 20 de abril de 2008

Não jogue espinhos na estrada... na volta você pode estar de pés descalços.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Caso Isabella, de novo

O Caso Isabella faz a festa das emissoras no ibope. A audiência dos telejornais cresce até 46% quando se toca no assunto.
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Está explicada a cobertura massacrante, que não deixa de ter seus rompantes sensacionalistas.

Mesma exposição de sempre

Como acontece todos os anos, a direção da Sociedade Rural do Paraná divulgou o resultado da “48ª Exposição Agropecuária de Londrina (16ª Internacional)”, realizada no Parque Ney Braga.
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O roteiro é simples: uns dias antes de começar a feira é divulgada a expectativa financeira dos promotores. Aí começa a exposição, sempre com os mesmos tipos de leilão, com as mesmas promoções, com os mesmos tipos de estandes (quase todos sempre no mesmo lugar), com o mesmo tipo de parque de diversões, com a mesma gastronomia, com os mesmos concursos, com os mesmos esquemas de shows.
Depois que acaba vem a somatória de tudo, e o resultado é passado para os jornalistas. No caso deste ano, foi ontem.
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De um ano para o outro acontece uma ou outra “turbinada” na promoção, uma novidadezinha aqui e outra lá, mas de um modo geral é o mesmo esquema, inclusive o da imprensa, que faz uma cobertura padrão sempre abordando os mesmos assuntos todos os anos.

Censura no JN?

Será que houve pressão no Jornal Nacional, da Globo, para não publicar no seu “site” a entrevista concedida pelo general Augusto Heleno, que falou sobre o episódio da Reserva Raposa do Sol, em Roraima? A matéria apareceu no JN, mas teria caído fora da página do jornal na internet.
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O general andou falando mal do Governo. Veja o que escreveu o jornalista Zé Beto em seu blog.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

CCJ seria suspeita?

Vou fazer um desafio à grande imprensa de Londrina: o ex-vereador Henrique Barros, expoente da crise moral da Câmara Municipal, colocou sob suspeita todos os membros da Comissão de Justiça da Casa – os atuais e os anteriores. Isto porque no seu depoimento informal dado aos promotores do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em 10 de janeiro, dia de sua prisão, ele afirmou textualmente: “A maior briga na Câmara é pra saber quem vai ser da Comissão de Justiça (...) porque é na Comissão de Justiça que se dá os pareceres favoráveis ou contrários ao projeto (...)”.
O teor do depoimento foi gravado e o vídeo, ainda que atrasado, foi mostrado ontem nas TVs.
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Na reportagem da TV Paranaense (RPC-Globo), por exemplo, que foi ao ar no “Paraná TV Primeira Edição”, o repórter Alberto D’Angele abriu a sonora da matéria dizendo que “o ex-vereador fala [no vídeo] de disputas internas por comissões de maior poder de negociação...”, e aí soltou a fita com aquela fala ali em cima.
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Então, imprensa: estaria o ex-nobre edil insinuando que vereadores da comissão são suscetíveis a subornos? Acho que não, né?
Que tal fazer um exercício de jornalismo investigativo pegando alguns projetos de lei polêmicos aprovados nos últimos tempos para dar uma checada? Mesmo que não tenha nada, vale como exercício. Neste caso não precisaria nem publicar, claro!
Podem começar, por exemplo, com o PL 270/2005, que depois virou a Lei 9.898/2006. É o projeto que autoriza a Prefeitura a doar aquele terreno para o empresário Marcelo Caldarelli. Estranhamente o projeto não aparece no sistema de pesquisa on-line do site da Câmara..., mas imagino que fisicamente ele esteja lá e pode ser folheado lá mesmo. É público.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Listas não cruzadas

Em Londrina, dentro da crise moral envolvendo vereadores, o Caso Henrique Barros e o Caso Caldarelli são histórias distintas, mas uma coisa eles têm em comum: os personagens. E por incrível que pareça, a imprensa local ainda não se deu conta disso e deixou de fazer a analogia dos fatos.
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Em seu depoimento ao Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no dia 10 de janeiro, logo após a sua prisão, o ex-vereador Henrique Barros, acusado de concussão e formação de quadrilha, envolveu oito vereadores (fora ele, claro), embora inicialmente tenha sido divulgado apenas quatro.
Neste dia 15, porém, numa informação dada pelo repórter Carlos Oliveira, da Rádio Paiquerê-AM, ele citou os outros quatro. Então, temos o seguinte: Orlando Bonilha, Osvaldo Bergamin, Flávio Vedoato e Renato Araújo, da relação inicial; e Gláudio Renato de Lima, Lourival Germano, Jamil Janene e Sidney de Souza, que foram acrescentados agora. Total: oito.
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Já na famosa lista de nomes apresentada pelo empresário Marcelo Caldarelli, num outro caso de suposto pagamento de propina, há nove vereadores: Sydney de Souza, Flávio Vedoato, Gláudio Renato de Lima, Henrique Barros, Luiz Carlos Tamarozzi, Jamil Janene, Orlando Bonilha, Renato Araújo e Osvaldo Bergamin. Total: nove.
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Comparando uma lista com a outra, só têm dois nomes que não batem: Lourival Germano, em uma lista; e Luiz Carlos Tamarozzi, na outra. O resto são os mesmos nos dois casos - evidentemente incluindo o próprio Henrique nas duas listas.
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Há quem aposte que Henrique Barros poderá ampliar a sua delação. O que não entendo, porém, é porque a Imprensa ainda não cruzou as duas listas...
(Pode não ser nada, mas também pode ser tudo.)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sensacionalismo

Não sei, não, mas acho que a intensa cobertura da mídia para o caso do covarde assassinato da pequena Isabella está passando dos limites. Muitos veículos exageram no que falam e até começam a “fabricar” novos ângulos da notícia para justificarem a pauta.
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Isso pra mim tem um nome: sensacionalismo.

domingo, 13 de abril de 2008

Bazar da hipocrisia

Oficialmente, condenar os camelôs por venderem produtos piratas (sem nota fiscal) é quase uma unanimidade nacional. Oficialmente.
Quem entrou nestas lojinhas e não comprou nada que atire a primeira pedra!
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É uma hipocrisia social!
As autoridades e o próprio povo, com a complacência dos próprios veículos de comunicação, também praticam ampla demagogia a respeito. Chega a ser paradoxal algumas situações, como estas de se montar bazares para a venda de “produtos doados pela Receita Federal”, sob o argumento da arrecadação de fundos para entidades beneficentes.
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A pergunta que se faz é: os fins justificam os meios? É certo sonegar impostos sob o manto da benevolência?
Penso que a sociedade precisa rever os seus conceitos, os seus próprios valores.
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O que eu acho que deveria ser feito, então?
Bom, uma sugestão seria a Receita Federal cobrar da instituição mantenedora do bazar um valor inferior ao justo, talvez até simbólico, a título de imposto ou arrecadação fiscal. O bazar embute este custo na venda, sem lucros ou quaisquer outros acréscimos, e cobra depois do consumidor.
Este imposto poderia ser calculado sobre todo o lote das mercadorias que estariam sendo disponibilizadas, sem levar em conta o valor unitário de cada produto para não inviabilizar financeiramente a campanha. (O cálculo sobre o valor unitário encarece o produto.)
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Estamos abertos a outras ideías. E você, o que acha?

sábado, 12 de abril de 2008

Retoque final

O ato de retocar fotos para uso na imprensa é algo bastante polêmico dentro das redações e no meio acadêmico.
Seria isto uma manipulação de informação? Estariam manipulando a consciência do coletivo? Leia o que o “Jota” escreve em seu blog.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Fim do curso de jornalismo?

João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Sem-Terra, conhecido no meio latifundiário como “terrorista do campo”, azucrina a paciência de muita gente, mas de vez em quando fala algumas verdades.
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Dia 9 ele participou de um debate sobre a questão agrária, o MST e o Brasil com estudantes do curso de Jornalismo da tradicional e famosa faculdade Cásper Líbero, de São Paulo.
Lá dentro, ignorando o meio acadêmico, criticou a maneira como as universidades brasileiras preparam seus alunos e afirmou que a maioria delas preocupa-se apenas em formar mão-de-obra para a elite empresarial do país, ao invés de formar seres pensantes.
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Eu concordo com ele neste aspecto. De um modo geral, os cursos superiores possuem uma ementa proletária, pois está voltada principalmente para a formação de trabalhadores. São poucos os que direcionam o seu conteúdo para a formação de empreendedores.
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Eu não assisti ao debate, mas a minha sobrinha, a futura jornalista Mariane Battistetti, participou e contou que o pior estava por vir, para espanto de muitos estudantes.
O “terrorista” do MST criticou duramente os jornalistas, a quem denomina de ignorantes por não entenderem os conceitos da realidade rural brasileira, e por estarem subordinados à ideologia dos grandes conglomerados da mídia como a Rede Globo e a Editora Abril. Mas contemporizou um pouquinho: “Alguns até têm boa índole, mas eles têm que fazer o que o editor manda”.
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Para debelar a tal ignorância dos jornalistas – conta-me a Mariane –, Stédile respondeu batendo de primeira: “Acabar com todas as faculdade de jornalismo do país”. Ele explica que a manipulação das notícias gera uma mediocridade geral da mídia, “devido à pobreza intelectual da sociedade brasileira”.
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Diz ainda que o monopólio dos meios de comunicação faz com que os repórteres não tenham liberdade para escrever, forçando-os à autocensura.
Ao falar da Globo, ele se irrita e a chama de classista, rogando uma praga (“ainda haverá inferno para a Globo”).
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No final, ele dá uma sugestão aos estudantes: “As boas entrevistas são aquelas que têm as melhores perguntas, depende do entrevistador”.
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Interessante a postura do “rei” dos sem-terras, que paradoxalmente depende do elitizado jornalismo brasileiro para dar visibilidade ao seu MST e até para instrumentalizar os próprios seguidores do movimento.
De qualquer forma, o pastor dos sem-terras tem uma visão importante e deixa a gente a pensar.
O Stédile não pode ser ignorado, pela sua força como líder, pela sua força de manipulação, pela sua inteligência. É um sujeito que inspira cuidados.

A Imprensa está em xeque?

Alguns fatos ocorridos esta semana levam algumas pessoas e profissionais a questionarem o papel da imprensa e dos jornalistas. Nós mesmos postamos certos comentários a respeito, veja aí para trás.
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O prefeito eletrônico do Rio, César Maia (DEM), justamente criticado por causa da crise da dengue na Cidade Maravilhosa, chega a fazer uma análise um tanto sórdida do comportamento profissional dos homens da mídia. Veja o que ele escreveu hoje no seu famoso “Ex-Blog”:

JORNALISMO DE CRISE!

1. Ontem jornal publicou com destaque a foto de uma poça de água numa obra parada no Rio-Capital, onde poderia ocorrer larva de dengue. A questão que se coloca é se o fotógrafo deveria ter se comportado como repórter ou como cidadão.

2. Uma poça de água como aquela num quadro de crise de dengue, especialmente naquela região, é um perigoso criadouro potencial, que pode levar a infestação e até o óbito. Para evitar riscos, o cidadão deveria ter pedido ajuda e acabado com aquela poça, para o que bastaria uma simples vassoura. Ou telefonado para a empresa de limpeza urbana e pedido que limpasse a poça pelos riscos que incorporava.

3. Se não incorporasse riscos, não merecia a foto em destaque. Se incorporasse o cidadão deveria prevalecer sobre o fotografo e ajudar os moradores daquela região, evitando o risco de dengue?

4. Outro dia uma equipe de TV acompanhava a via sacrificada de uma mãe com seu filho procurando hospital. Provavelmente aquela equipe com um simples telefonema alcançaria a autoridade responsável para resolver o problema e a angustia daquela mãe. Mas a decisão que prevaleceu foi acompanhar o sofrimento e fazer imagens fortes para a emoção dos expectadores e a cobrança das autoridades.

5. Outra vez, uma decisão em época de crise, que confronta o cidadão e o repórter, e o coloca frente à ética pessoal e a jornalística. Ou não há diferença? Mas se não há, qual a decisão adequada?

6. Imagine-se numa guerra de fato, um repórter com uma câmera de TV na mão. Surge um soldado inimigo por trás e o soldado da força que permitiu a cobertura, não o vê. O câmera deve filmar a morte do soldado e ganhar o premio Pulitzer ou largar a câmera e gritar para o soldado, salvar a sua vida e deixar de ganhar o premio Pulitzer?

7. Não se trata de um caso hipotético, mas de um debate que se seguiu à guerra do Vietnam em muitas situações. Ou o caso de uma das fotos vencedores do Prêmio Pulitzer em 1994 -da criança africana com abutre próximo- do fotografo Kevin Carter.

8. Claro, os graus são muito diferentes entre a guerra à dengue e a guerra militar. Graus diferentes, mas gêneros semelhantes.


Já na seção de Cartas da “Folha de Londrina” de hoje, a radialista Ana Paula também toca num ponto nevrálgico, desta vez abordando a cobertura da mídia no caso da pequena Isabela, covardemente assassinada em São Paulo semana passada. Leia o que ela escreveu:

TVs e o caso Isabela Nardoni
Fico indignada com certas emissoras de TV que exploram a dor de uma família chocada e enlutada. Mal podem sair em seu portão sem que sejam assediados. Já não basta o sofrimento natural? A imprensa tem mesmo que pressionar tanto? Fazem isto em função da audiência. Ninguém aguenta mais. Será que falta matéria de qualidade? Se assim for, bem que vocês poderiam mandar uma assinatura da FOLHA para eles e quem sabe a criatividade deles afloraria. ANA PAULA LOPES DE MEDEIROS (radialista) – Rolândia.


Quem também critica a imprensa, mas desta vez por motivos menos nobres, são vereadores de Londrina, que demonstram muita mágoa dos jornalistas locais, especialmente agora que a casinha está caindo diante de uma crise moral sem precedentes, nunca vista na história daquele Legislativo.
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O jornalista Fábio Silveira, do “Jornal de Londrina”, ironiza a tentativa dos vereadores de cercear a liberdade de imprensa. Veja o que ele escreveu na sua coluna “Aparte” de hoje:

“CEI da imprensa” I
A tese de criar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal para apurar o vazamento de informações dentro da Casa virou pó. Ontem, o vereador Jamil Janene (PMDB) pediu até que a expressão CEI, usada por ele na sessão de terça-feira, fosse retirada da ata da sessão.

“CEI da imprensa II”
Uma vez enterrada a tese, sobraram as piadas. A principal era que a CEI teria um relator e um delator. Logo, teria um relatório e um “delatório”. Piada pronta. Sem mais comentários...

Lastro legal
Dizem os piadistas de plantão que a delatoria tem até lastro na Constituição.

Big Brother
Brincadeiras à parte, comenta-se nos bastidores (e isso é um vazamento de informação) que o cerco contra o vazamento de informações na Câmara está tomando proporções orwelianas.

Institucional
O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Londrina, Ayoub Hanna Ayoub, esteve ontem na Câmara. Foi conversar sobre o acirramento dos ânimos na relação vereadores/imprensa.


São alguns casos que resolvi publicar para a sua análise.
Não estou opinando, apenas expondo alguns comentários. Faça você o seu julgamento.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos.
(Eduardo Galeano)

Crise na Câmara: boa cobertura

De um modo geral, a grande imprensa de Londrina está fazendo uma boa cobertura da grave crise ética que envolve a Câmara Municipal e seus edis. Entre os impressos, a disputa tem sido acirrada entre a tradicional “Folha de Londrina” e o caçulinha “Jornal de Londrina”.
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Na linha de frente estão os dois Fábios: o Cavazotti, pela Folha; e o Silveira, pelo JL. Cada dia um quer furar o outro – e quem ganha é o leitor. Muito bom!
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Na telinha, quem disputa é a TV Tarobá (Band), TV Coroados (Globo) e TV Cidade (SBT), não necessariamente nesta ordem.
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Já na latinha a briga grande fica por conta da Paiquerê AM, Brasil Sul AM e CBN Londrina. Também não necessariamente nesta ordem.

Propaganda explícita

A bem humorada Ruth Bolognese, da “Folha de Londrina”, critica com razão a forma como a rede de TV RPC (Globo), do Paraná, trata o noticiário sobre o festival “Lupaluna”. Veja o que ela escreveu na edição de hoje de sua coluna:

Alôoo RPC
É um exagero a propaganda explícita que a RPC, afiliada da Globo no Paraná, está fazendo do que chama de Lupaluna, o maior festival de música jovem da América Latina, promoção da própria emissora, que acontece neste final de semana em Piraquara, a 20 quilômetros de Curitiba.
Estamos falando de matérias jornalísticas, não de comerciais, que estes são livres para quem paga.

Menos, menos
De cada cinco matérias apresentadas nos jornais televisivos, quatro são do tal festival. E vamos lembrar que TV é concessão do Estado e matérias jornalísticas devem ser do interesse público, não das promoções domésticas.
Depois ficam criticando o Requião, coitado, por aparecer tanto (98% do tempo) na TV Educativa...


Se você quiser mandar uma mensagem para a Ruth, escreva para ruthbolognese@bonde.com.br.

CNT nos deve

Não me conformo como pode estar no ar uma emissora como a CNT/Tropical. A qualidade é muito ruim, a imagem é péssima e a programação não atende o básico dos interesses da sociedade. (Estaria aquela emissora atendendo a outros interesses?)
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A CNT é “traço” padrão em qualquer pesquisa de opinião pública.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Requião quer é o Senado

Incrível como a imprensa paranaense e muitos jornalistas da terrinha chegam a ser ingênuos ao não se chafurdarem na notícia de ontem de que Orestes Quércia quer lançar Requião para presidente da República.
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Gente, acorda!!! Ninguém fora das divisas paranaenses sabe quem é Roberto Requião. Sabem, sim, que o Paraná tem um governador chacota que comeu mamona na frente do Lula.
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O nosso Bob não tem cacife político para ser candidato a presidente, e quase ninguém da Imprensa fez uma interpretação mais profunda em cima desta notícia.
O que o nosso governador quer é ser senador novamente, e ficar nesta função oito anos sem ser incomodado.
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Senador é o cargo eletivo mais longevo da República, mais do que o do próprio Presidente. Portanto, a essa altura da vida, já com 67 anos, o esquema do Req é ir para lá e para cá, revezando-se entre Governo do Estado e Senado.
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Há radialistas, como o Paulo Ubiratã, da CBN de Londrina, que considera esta uma “excelente notícia”, a do Requião ser presidente. Para Ubiratã, o povo do Paraná é quem ganha se isso acontecer.
Eu, particularmente, não concordo. O Estado inteiro precisaria ser melhor atendido pelo governador para ganhar o apoio e a simpatia dos paranaenses – que por apenas 10.479 votos quase deram a vitória para o seu oponente Osmar Dias na última eleição.
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Mas na verdade, é que ainda não “caiu a ficha” por aqui. O Paraná é um dos mais “pobres” politicamente. Perde para São Paulo, Nordeste, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro em termos de força política. Nossos representantes são insignificantes nacionalmente, e por conta disso o nosso Estado "pena" para conseguir recursos volumosos da União para investimentos.
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Nem o governador (não importa o nome), nenhum dos nossos 3 senadores, dos 30 deputados federais, dos 54 deputados estaduais, dos 399 prefeitos, dos 3.697 vereadores e nem mesmo nenhuma das nossas centenas (ou milhares?) de políticos comissionados nos escalões das esferas federais têm competência política para galgar o posto eletivo mais alto da política nacional – e pelo que vislumbramos nas próximas eleições, não a terão tão cedo. Uma pena!
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Basta olhar para a história da política republicana brasileira: quantos paranaenses chegaram na Presidência nos seus 119 anos?

Jornalistas x donos da imprensa

O Luiz Geraldo Mazza, colunista da “Folha de Londrina”, faz um interessante ensaio na edição de hoje, onde destaca qual deveria ser o papel político do jornalista dentro das empresas de comunicação. Ele trata da conflituosa relação das redações com a direção dos veículos.
Vale a pena ler, clique aqui.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Denguemania

A crise da dengue, principalmente na triste Rio de Janeiro, estigmatizou o povo brasileiro. Agora, qualquer coisinha a pessoa já acha que pode estar com a doença. Um resfriado ou uma gripinha de nada já basta para provocar pavor.
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Tudo é fruto da intensa cobertura jornalística que a imprensa dá ao vírus, embora ela não tenha culpa pelo acontecido. O bombardeio, porém, é grande.
Até quando o problema vai continuar, ninguém sabe.
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Mas o fato é que basta o sujeito estar com dor-de-cabeça ou ter um desarranjo estomacal ou intestinal que o pseudo-drama aparece. Vale também dor no pé, na mão, uma coceirinha aqui, ali...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

'New look' para o Fernando

O comentarista Fernando Brevilheri, da Tarobá (Band) de Londrina, precisa repaginar o seu visual, agora que ele está aparecendo na TV. O seu penteado é um tanto... digamos... retrô. (E olha que eu não estou falando do seu volumoso órgão olfativo...)
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A propósito, já que estamos falando do Fernando, ele disse agorinha no “Jornal da Tarobá” que os pré-candidatos a prefeito da cidade não se pronunciam publicamente sobre a venda ou não da companhia telefônica municipal, a Sercomtel.
Aposto que falam sim: basta perguntar-lhes. Os pré estão por aí, em lugar certo e sabido (dependem disso), então é só a reportagem procurar e perguntar.
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Evidentemente nenhum político vai correr atrás da imprensa para se pronunciar a respeito, já que se trata de um assunto controvertido – e se este fosse certamente (e paradoxalmente) lhe bateriam a porta na cara, pois via de regra os diferentes veículos encaram esta ato como uma forma de o político tentar capitalizar eleitoralmente ou instigar a própria promoção pessoal.
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Particularmente, penso que a atitude destes veículos é um tanto mesquinha, uma bobagem nestes dias de mídia globalizada: ao manifestar a sua posição em torno de um determinado assunto, o político também está dando a cara para bater. O cidadão, neste caso, é quem daria o tapa...
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A mídia acha que tem que ser o contrário: ela ir atrás dos políticos para perguntar. Então, corra atrás deles!

... e o ministro fez o que eu disse.

Não falei que o ministro da Agricultura daria uma boa notícia para o produtor rural na Exposição Agropecuária de Londrina? Ele anunciou ontem, durante a solenidade de abertura da feira, a renegociação da dívida dos ruralistas, que hoje chega a estrondosos R$ 87 bilhões (alguém vai pagar isso, né? Quem será? Você só tem uma chance de acertar...).
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É sempre assim: uma boa notícia (resta saber para quem) é divulgada na abertura da tradicional feira, que chega este ano à sua 48ª edição. Mesmice.

A Gazeta é a mesma

Domingo foi dia de mudança no visual da ainda sisuda “Gazeta do Povo”, do Paraná. O jornalão não deixou de ser jornalão, apenas fez uma pequena cirurgia plástica e aplicou botox nas suas páginas. (Veja, ao lado, o "ontem" e o "hoje")
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No mais, não vi grandes mudanças na sua linha editorial, apesar do estardalhaço que fizeram. Aquele poderoso matutino, de âmbito estadual, continua praticamente a mesma coisa, sempre puxando mais sardinha pro lado curitibano de ser.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mídia calada por verbas

Não é só eu que enxergo os problemas morais da imprensa. Clique aqui e veja a nota no blog “Brasil Limpeza”, do Jota.

Divulgação da tiragem

Todo o segmento das publicações periódicas (semanários, quinzenários, mensais, bianuais, etc.), seja grande ou pequeno, deveria ser OBRIGADO a publicar um expediente, mas não é o que vemos nos rincões do nosso Brasil. Pior: muitas pequenas publicações, principalmente aquelas que aparecem de vez em quando (sem periodicidade regular), não o inserem e muito menos têm a certificação de sua tiragem publicada em suas edições.
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Pior do que não ter expediente é não ter um órgão oficial ou renomado que auditore a sua tiragem. Sem este importante elemento técnico, a publicação incorre na clandestinidade e atua no submundo da imoralidade, com o intuito único de jogar um embuste sobre anunciantes e demais clientes.
Eles escondem algo, e o que escondem é justamente o que eles não têm: qualidade de informação e compromisso social.
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Uma lei que obrigasse a constar a tiragem nos expedientes viria em boa hora. E sua aplicação até seria fácil de acompanhar. Se algo fosse publicado sem estas exigências, aquele título estaria sumariamente proibido de circular nas edições subseqüentes, sob pena de multas e outras condenações para os seus responsáveis ou para a gráfica que o imprimiu. Tais publicações também deveriam se sujeitar a auditorias oficiais periodicamente, à moda do Procon ou do próprio Ministério das Comunicações, entre outros organismos.
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A aplicação da lei também seria eficiente nos meios de comunicação eletrônica (pequenas emissoras de rádio e TV, sites e afins).
Já passou da hora de darmos mais credibilidade a estes segmentos, que vivem um tanto à margem da sociedade. Todos os dias a gente vê, lê e ouve uma quantidade enorme de informação nesses veículos mas não sabemos de quem são e para quantos eles estão se comunicando.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Exposição agropecuária

Pelo quadragésimo oitavo ano a Sociedade Rural do Paraná realiza a sua já tradicional e pomposa Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Sempre nessas ocasiões, boa parte da cidade passa a respirar novos ares: é exposição para lá, exposição para cá...
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Talvez os psicólogos possam explicar a mudança melhor do que nós. Eu, particularmente, penso que o clima diferente reflete, na verdade, a expectativa do londrinense de mudar um pouco a rotina de sua abalada auto-estima. Normal.
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Mas o fato é que até a imprensa local embarca na mudança. Os maiores veículos de comunicação da cidade, principalmente rádios, montam estúdios especiais dentro do Parque Ney Braga, onde acontece a festa.
Repórteres, editores, equipes inteiras são deslocadas para lá. Jornalistas andam uniformizados, a caráter, mesmo quando não estão em serviço.
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Tudo muda, inclusive a fisionomia dos apresentadores de telejornais. Eles ficam mais alegres e despojados defronte das câmeras.
As apresentadoras de variedades dos banalizados programas vespertinos de TV também. Parece tudo diferente da vida real...
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Quase todos os veículos montam estandes no local, os jornais também. Aliás, tais iniciativas já viraram tradição.
A explicação talvez esteja no ímpeto publicitário e no gasto de mídia proporcionados pelo promotor e pelos clientes da feira. E também porque, evidentemente, os veículos de comunicação enxergam na promoção uma forma de reforçar a sua imagem perante a comunidade. Questão de marketing, evidentemente!
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O que me incomoda nesta situação toda, porém, é a mesmice. Os veículos mudam de lugar, mas a oferta de informação ao público, ao povo, não muda nada. Entra ano e sai ano as notícias da exposição é a mesma. Antes de começar, a mídia fala da expectativa de vendas, da agenda dos leilões e dos rodeios, o comércio ambulante, os docinhos e torradinhas deliciosas, churros (hummm) e, claro, dos shows musicais. Tem jornalista que está escolado neste roteiro.
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Parece que a pauta é padronizada entre todos os veículos. Mudam-se apenas alguns ângulos ou as abordagens da informação. Apenas isso.
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Aí tem a abertura da feira – com a presença, claro, das autoridades. Todo mundo corre atrás do governador, do ministro da Agricultura (são figuras carimbadas de todos os anos, arroz-de-festa). O ministro, aliás, sempre prepara uma boa notícia para dar – algum benefício para os produtores, sei lá, algo nessa linha. Tudo faz parte da festa!
Depois aparecem entrevistas com os donos de barracas, com o transeunte, e assim vai rolando durante dez dias.
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Nos bastidores, muitas promoções são regadas graciosamente à base de coquetéis, jantares, almoços para convidados vips e para os “bicões de festa”, claro.
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E depois que tudo acaba, fica a expectativa das comercializações realizadas.
Poucos dias depois a Sociedade Rural convoca a imprensa para falar do sucesso da promoção (sempre é sucesso), e mostra números fabulosos. Ah, eles dizem também que muitas vendas acontecem pós-feira, etc, etc...
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É a mesmice, e por isso mesmo nada de diferente a imprensa traz para o povo, que carece de informações mais relevantes em dias de cartões corporativos, CPIs, propinas para vereadores, problemas na segurança pública, vandalismo nas escolas, dengue, crise na saúde...
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Em tempo: a “48ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina" (16ª de âmbito internacional) acontece de amanhã até dia 13.

terça-feira, 1 de abril de 2008

As pessoas envelhecem não porque o tempo passa, mas principalmente porque elas abandonam os seus sonhos.

Davi vence Golias

Olha aí: foi só a Band veicular a matéria sobre as diferenças entre o Rio e Niterói no caso da dengue que a Globo correu atrás. Em outras palavras, a pequena Band “furou” a poderosa Globo.
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Foi ontem à noite no “Jornal da Globo”. A reportagem mostrou que as duas cidades estão numa região geograficamente idêntica, mas nem por isso os problemas são os mesmos. Até agora os niteroienses não tiveram nenhuma morte por causa do temido Aedes aegypti.
Levando-se em conta a população dos dois municípios, a incidência em Niterói é de 240 casos por 100 mil habitantes. No Rio, de 558 por 100 mil.
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Levou quase uma semana para a Globo se tocar e fazer a mesma matéria.
Parabéns à Band por lançar a pauta em primeira mão, mas parabéns à Globo também por ter sido humilde – pelo menos não colocou o orgulho à frente dos interesses sociais. O telespectador ganhou.