sexta-feira, 11 de abril de 2008

A Imprensa está em xeque?

Alguns fatos ocorridos esta semana levam algumas pessoas e profissionais a questionarem o papel da imprensa e dos jornalistas. Nós mesmos postamos certos comentários a respeito, veja aí para trás.
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O prefeito eletrônico do Rio, César Maia (DEM), justamente criticado por causa da crise da dengue na Cidade Maravilhosa, chega a fazer uma análise um tanto sórdida do comportamento profissional dos homens da mídia. Veja o que ele escreveu hoje no seu famoso “Ex-Blog”:

JORNALISMO DE CRISE!

1. Ontem jornal publicou com destaque a foto de uma poça de água numa obra parada no Rio-Capital, onde poderia ocorrer larva de dengue. A questão que se coloca é se o fotógrafo deveria ter se comportado como repórter ou como cidadão.

2. Uma poça de água como aquela num quadro de crise de dengue, especialmente naquela região, é um perigoso criadouro potencial, que pode levar a infestação e até o óbito. Para evitar riscos, o cidadão deveria ter pedido ajuda e acabado com aquela poça, para o que bastaria uma simples vassoura. Ou telefonado para a empresa de limpeza urbana e pedido que limpasse a poça pelos riscos que incorporava.

3. Se não incorporasse riscos, não merecia a foto em destaque. Se incorporasse o cidadão deveria prevalecer sobre o fotografo e ajudar os moradores daquela região, evitando o risco de dengue?

4. Outro dia uma equipe de TV acompanhava a via sacrificada de uma mãe com seu filho procurando hospital. Provavelmente aquela equipe com um simples telefonema alcançaria a autoridade responsável para resolver o problema e a angustia daquela mãe. Mas a decisão que prevaleceu foi acompanhar o sofrimento e fazer imagens fortes para a emoção dos expectadores e a cobrança das autoridades.

5. Outra vez, uma decisão em época de crise, que confronta o cidadão e o repórter, e o coloca frente à ética pessoal e a jornalística. Ou não há diferença? Mas se não há, qual a decisão adequada?

6. Imagine-se numa guerra de fato, um repórter com uma câmera de TV na mão. Surge um soldado inimigo por trás e o soldado da força que permitiu a cobertura, não o vê. O câmera deve filmar a morte do soldado e ganhar o premio Pulitzer ou largar a câmera e gritar para o soldado, salvar a sua vida e deixar de ganhar o premio Pulitzer?

7. Não se trata de um caso hipotético, mas de um debate que se seguiu à guerra do Vietnam em muitas situações. Ou o caso de uma das fotos vencedores do Prêmio Pulitzer em 1994 -da criança africana com abutre próximo- do fotografo Kevin Carter.

8. Claro, os graus são muito diferentes entre a guerra à dengue e a guerra militar. Graus diferentes, mas gêneros semelhantes.


Já na seção de Cartas da “Folha de Londrina” de hoje, a radialista Ana Paula também toca num ponto nevrálgico, desta vez abordando a cobertura da mídia no caso da pequena Isabela, covardemente assassinada em São Paulo semana passada. Leia o que ela escreveu:

TVs e o caso Isabela Nardoni
Fico indignada com certas emissoras de TV que exploram a dor de uma família chocada e enlutada. Mal podem sair em seu portão sem que sejam assediados. Já não basta o sofrimento natural? A imprensa tem mesmo que pressionar tanto? Fazem isto em função da audiência. Ninguém aguenta mais. Será que falta matéria de qualidade? Se assim for, bem que vocês poderiam mandar uma assinatura da FOLHA para eles e quem sabe a criatividade deles afloraria. ANA PAULA LOPES DE MEDEIROS (radialista) – Rolândia.


Quem também critica a imprensa, mas desta vez por motivos menos nobres, são vereadores de Londrina, que demonstram muita mágoa dos jornalistas locais, especialmente agora que a casinha está caindo diante de uma crise moral sem precedentes, nunca vista na história daquele Legislativo.
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O jornalista Fábio Silveira, do “Jornal de Londrina”, ironiza a tentativa dos vereadores de cercear a liberdade de imprensa. Veja o que ele escreveu na sua coluna “Aparte” de hoje:

“CEI da imprensa” I
A tese de criar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal para apurar o vazamento de informações dentro da Casa virou pó. Ontem, o vereador Jamil Janene (PMDB) pediu até que a expressão CEI, usada por ele na sessão de terça-feira, fosse retirada da ata da sessão.

“CEI da imprensa II”
Uma vez enterrada a tese, sobraram as piadas. A principal era que a CEI teria um relator e um delator. Logo, teria um relatório e um “delatório”. Piada pronta. Sem mais comentários...

Lastro legal
Dizem os piadistas de plantão que a delatoria tem até lastro na Constituição.

Big Brother
Brincadeiras à parte, comenta-se nos bastidores (e isso é um vazamento de informação) que o cerco contra o vazamento de informações na Câmara está tomando proporções orwelianas.

Institucional
O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Londrina, Ayoub Hanna Ayoub, esteve ontem na Câmara. Foi conversar sobre o acirramento dos ânimos na relação vereadores/imprensa.


São alguns casos que resolvi publicar para a sua análise.
Não estou opinando, apenas expondo alguns comentários. Faça você o seu julgamento.

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