quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sem o nome dos bois

Daqui a pouco vai fazer um ano que estou com esse blogue e, desde o início, observo que alguns temas são recorrentes. É o caso do “jornalismo investigativo”, que praticamente não existe nos jornais interioranos. Aliás, são poucos os veículos de comunicação do país que mantêm jornalistas capacitados para tal finalidade.
***
Veja um exemplo: neste dia 26 a Rádio Paiquerê AM de Londrina noticiou o flagrante de três pessoas que estavam praticando pesca irregular na região. Deu a notícia mas não deu “o nome aos bois”. Não falou quem são os infratores, optou-se por mencionar apenas as iniciais de seus nomes.
***
Aliás, não foi só a Paiquerê. O site noticioso Londrix também foi omisso, assim como outros veículos que deram a tal notícia mas sem dar o “quem” (uma das perguntinhas básicas do lead jornalístico).
***
Não deveria ser assim, afinal, ocorreram flagrantes e isso é notícia. Se ocorreu flagrantes é porque obviamente alguém, com nome e sobrenome, foi flagrado.
***
Por que sonegar os seus nomes? Seria porque esses pescadores gozam de alguma regalia legal? Seria porque eles pertencem a uma classe social mais alta do que os miseráveis que são flagrados diariamente pela polícia nas ruas da cidade? (Esses miseráveis... ah, esses miseráveis... deles a gente sabe o nome, o sobrenome, o nome do cachorrinho, a casa onde moram, etc...)
***
Se a autoridade policial – no caso, o Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde, da Polícia Militar de Londrina – não passa o nome dos pescadores infratores, vai atrás e consiga através de outras formas, pô!

terça-feira, 27 de maio de 2008

ONGs desmoralizadas?

Não sou fã do prefeito carioca César Maia, mas devemos reconhecer o seu profundo conhecimento de política e de administração.
Hoje, por exemplo, ele fala apropriadamente da crise moral em que navega as Organizações Não-Governamentais (ONGs) brasileiras. Para ele, essas ONGs seriam um equívoco.
***
Eu sempre achei que a maioria das ONGs é um verdadeiro antro de aproveitadores de recursos públicos. E o pior é que algumas contam com a complacência da própria imprensa.
Leia o que fala Maia a respeito em seu famoso “ex-blog”. Ele publicou hoje:

AS "ONGs" DESMORALIZARAM O "TERCEIRO SETOR" NO BRASIL OU ERA UMA IDÉIA EQUIVOCADA?

Uns 20 anos atrás, surgia como alternativa a alardeada ineficiência do setor publico, o Terceiro Setor, que através de ONGs e detendo o conhecimento, a prática e a ética, substituiriam com vantagem muitas das funções do poder público. Seriam até a solução para as questões sociais -e em especial- as de inclusão social. Os editoriais da grande imprensa saudavam este caminho e o estimulavam.
Caminho fácil -que se eximia de licitações e de concurso público- em nome da competência, seriedade e moral. Já no inicio dos anos 90 apareciam alguns levantamentos curiosos mostrando que havia no Rio e em SP -capitais- mais ONGs com foco em população na rua, que o número de pessoas nestas condições.
O facilitário arrombou as portas para a criação de ONGs de todos os tipos. Os governos passaram a ser grandes contratadores. E -como desdobramento- os amigos dos dirigentes dos governos, passaram a ser contratados como ONGs, e em grande medida, ONGs destes mesmos dirigentes, que foram formalmente substituídos na direção das mesmas e passaram a ser seus contratadores.
As ONGs de todos os tipos proliferaram, e esta multiplicação se deu exatamente entre as "picaretOngs". Os recursos privados minguaram. Os recursos públicos explodiram. As ONGs deixaram de ter foco como no inicio (Greenpeace todos sabem qual o foco, Viva Cazuza todos sabem qual é o foco...) e se transformaram em empresas prestadoras de serviços, de qualquer tipo de serviço.
Nos últimos anos a expressão Terceiro Setor sumiu do noticiário. O Terceiro Setor -como alternativa- literalmente implodiu. Restam as ONGs hoje submetidas -várias delas- a processos judiciais, a CPI, e passou-se a exigir que sejam regulamentadas e que possam ser auditadas em suas contas por parte do controle interno do setor público e dos tribunais de contas.
O que estava errado na idéia do Terceiro Setor? A imprensa nos deve uma matéria de fôlego a este respeito, pois o entusiasmo com que recepcionaram a idéia, merece - que o distinto público- saiba se a idéia era prenhe das distorções que trouxe, se foi mal aplicada, se faltaram regras -aliás nunca exigidas de partida...

domingo, 18 de maio de 2008

Campana come barriga


O jornalista e eminente-pardo curitibano Fábio Campana (foto) é daqueles que poderíamos classificar de camaleão: hora está de uma cor, hora de outra. E invariavelmente comete deslizes jornalísticos que muitas vezes passam despercebidos por causa da imagem que ainda lhe é cultivada de grande articulador político e de marqueteiro eleitoral informal.
***
Dia 15 de maio ele botou uma nota em seu blogue na qual comenta a eleição do diretório estadual do PTB, que aconteceria dali dois dias. A nota foi “plantada” na coluna do Campana pelo deputado estadual petebista Fábio Camargo, que naquela convenção apoiava a chapa de Flávio Martinez contra a do deputado federal Alex Canziani.
***
Na nota, Campana (quer dizer, o Fábio Camargo) afirmava categoricamente que Martinez tinha 60% dos votos dos convencionais petebistas “e que isso deixou Canziani em tal desespero...”.
O que se viu na apuração, porém, foi a vitória de Canziani, e a Família Martinez saiu da eleição derrotada com 47%.
***
Lamentavelmente nenhum dos dois Fábios veio a público se explicar.
O Campana, jornalista, tem que tomar mais cuidado com os plantadores externos.

sábado, 10 de maio de 2008

A amizade verdadeira sorri na alegria, consola na tristeza, alivia na dor e se eterniza em Deus.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O medo de citar os nomes

A Agência Nacional de Petróleo interditou ontem três postos de combustíveis: um em Londrina, Cambé e outro em Arapongas, no Norte do Paraná, todos por causa de evidentes irregularidades. Só que, como acontece quase sempre (infelizmente!), muitos veículos de comunicação da região, incluindo os grandes, temem citar os nomes dos envolvidos ou denunciados.
Por quê? E se eu precisasse saber quais são os postos pra eu não perder viagem? Vai que eu preciso abastecer e meu carro e bato de cara com o estabelecimento fechado...
***
O rádio, jornal ou TV que não divulga não está prestando serviço para a comunidade, para o ouvinte, para o seu leitor, para o seu telespectador. Estaria prestando um desserviço. A prestação de serviço e a informação são essências do jornalismo!
***
Por que não divulgar os nomes? Qual o problema? É antiético? Não, não é antiético!! Afinal, é um fato que aconteceu, é notícia, e inclusive com a formalização do ato por uma respeitada instituição governamental, a ANP.
***
Em Londrina, pólo regional de todos estes estabelecimentos que foram interditados e fechados pela Agência, alguns dos principais veículos de comunicação (?) que eu acompanhei não deram o nome aos bois.
Pelo que vi, só a Folha de Londrina cumpriu com o seu papel na edição de hoje. Estão lá, os nomes. Parabéns à repórter Gisele Mendonça!
***
O Jornal de Londrina, concorrente da Folha, deu a matéria mas não declinou os nomes. A Rádio Paiquerê AM também não deu, no seu Jornal da Manhã de hoje. O mesmo aconteceu com a CBN Londrina, quando soltou matéria a respeito, também na manhã de hoje. (Estes aí falaram mas não falaram, né?)
***
É o tal negócio: falta coragem, falta pragmatismo, falta jornalismo investigativo. Aliás, é um assunto que já foi tratado neste blog.
Vai e volta, a gente sempre está falando e cobrando as mesmas coisas...

PS: Os estabelecimentos são o Posto Ceasa (Londrina), Portelão (Cambé) e o Auto Posto Andorinhas (Arapongas). Os dois primeiros foram interditados porque não tinham autorização para funcionamento, e o outro porque tinha gasolina com 29% de álcool anidro, quando o permitido é 25%.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Incentivos para mídia, não

E o senador Flávio Arns, do PT paranaense, quer realizar uma audiência pública para discutir a implantação de incentivos para as mídias regionais (rádios, jornais e televisão) que funcionam e atuam nas pequenas cidades do interior. Ele alega que esses veículos prestam um grande serviço à sociedade ao divulgarem os fatos locais, nem sempre cobertos pelas grandes redes de comunicação.
***
Sou contra dar incentivos oficiais enquanto não se mudar o fundamento comercial e editorial da maioria desses veículos interioranos, verdadeira prostituta da comunicação. Há muitos veículos picaretas, servis ao poder do momento e à ganância comercial, sem qualquer compromisso jornalístico. É a chamada “mídia picareta”. Aliás, é um assunto que já tratei aqui.
***
Nessas horas valeria a pena fazer uma boa fiscalização na contabilidade desses veículos.
Antes de estabelecer esses “incentivos”, como propõe o senador, precisamos acabar com os vícios maléficos deste tipo de mídia e sujeitá-la ao crivo de um bom e necessário conselho de regulamentação jornalística, que preze principalmente pela ética profissional.

sábado, 3 de maio de 2008

Ciranda do ILS não tem o Nedson

A carência de um instrumento chamado ILS no aeroporto de Londrina está cada vez mais evidente. Qualquer pingo de chuva na cidade é motivo para a suspensão de pousos e decolagens (tá certo que a gente exagera um pouco, mas é por aí...).
***
O ILS (Instrument Landing System) é um moderno sistema de aproximação de aeronave e de precisão de vôo que garante bastante segurança nos pousos e decolagens. Desde agosto do ano 2000 discute-se, via imprensa, a instalação do instrumento, que até chegou a ser adquirido para Londrina ao preço equivalente a 556 mil dólares.
***
Mas a demora da Prefeitura em desapropriar e entregar à Infraero parte dos imóveis vizinhos à pista, para a sua instalação e ampliação da pista, fez com que o equipamento fosse destinado para outra localidade. E isso aconteceu faz tempo, não recentemente, como insinuou mês passado o deputado federal Barbosa Neto, do PDT.
***
Agora, o jornalista Fernando Brevilheri, da Rádio Paiquerê AM, acha que falta união política para a conquista do ILS, e diz que deputados, senadores e Prefeitura devem lutar juntos pela causa.
***
Concordo em parte com Brevilheri. O problema é que o prefeito Nedson Micheleti, que é do mesmo partido do atual mandatário do país, não participa da roda.
Sabe aquela rodinha de pessoas onde todos dão as mãos para girar? Então, todo mundo deu as mãos em torno do ILS, todos os políticos locais, menos o lerdo do Nedson, aí não tem ciranda que acontece!
***
A questão é bem objetiva: por força de lei, a Prefeitura precisa entregar alguns imóveis para o aeroporto instalar e operar o equipamento. Ponto final.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O maior homem do mundo é aquele que não perde o seu coração de criança.
(Meng-tzu)

O Chab na cadeia

Ainda repercute na mídia a prisão em Curitiba do apresentador de TV paranaense Ricardo Chab, ex-deputado estadual, que está sendo acusado de extorsão.
***
A prisão aconteceu semana passada e está servindo pra muita gente (d)escolada botar a mão na consciência.
***
Até quando o jornalismo vai ter que ficar encarando situações como esta do Chab?
Veja o que escreveu o jornalista Cláudio Osti em seu blog “Paçoca com Cebola”.