sexta-feira, 27 de junho de 2008

Jornais vão acabar?

O dilema em torno da existência dos jornais impressos é algo que sempre está presente nas redações, nas faculdades de jornalismo e até nos meios empresariais. Em muitos casos, aliás, é tema de acalorados debates e de teses de mestrado e doutorado.
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O repórter Lourival Sant’Anna, do Estadão de São Paulo, é outro que toca apropriadamente no assunto. Um pouco do que ele pensa foi divulgado hoje no site do meu amigo Carlão Arruda (www.nomomento.jor.br). Veja só:

O destino dos jornais
Além de enfrentarem a concorrência da agilidade da Internet, os jornalões tradicionais americanos sofrem com a crise da economia potencializada pelos abalos nos mercado imobiliário e de hipotecas.
O NY Times disse ontem que se prevê uma fase de demissões, aquisições e falências no setor de jornais.Fala também em terceirização da impressão e diminuição dos dias de circulação. Em 2007, a perda de publicidade nos jornais americanos foi de 8%. Este ano, já alcançou 12%. Em maio as perdas teriam sido de 15%.
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A propósito desse assunto - o futuro dos jornais- um dos melhores repórteres brasileiros, Lourival Sant'Anna, do Estado de S. Paulo, acaba de lançar um livro da sua ótima dissertação de mestrado pela USP, em que analisa o destino dos nossos jornalões.
"Jornalista de jornal", como ele próprio se define, Sant'Anna defende que, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, o jornal não vai acabar no Brasil. "O ato de ler no papel vai permanecer", acredita, " desde que se crie uma nova roupagem para nossos diários. "O jornal terá de partir para a interpretação, análise e narração dos fatos que o leitor já soube no dia anterior pelo rádio, TV ou internet". O jornal, segundo o repórter, irá se aproximar da revista e terá a vantagem de sair diariamente, porém com tiragem menor e tamanho reduzido.
O texto terá de ser melhor. "Um texto de ótima qualidade", ressaltou, "sem precisar ser chato, sisudo ou muito longo".
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Repórter do Estadão há 18 anos, Sant'Anna diferencia a interpretação que o jornal deve fazer da mera opinião. "O jornalismo imparcial, idôneo está acabando", disse, lembrando, no entanto, que a informação mais crível será sempre escrita por um jornalista. Na internet ou não, diz Sant'Anna, o jornalismo tem a sua função: "escolher o que é mais importante, o que é verdadeiro e o que significa para as pessoas".

Time de nãotícias

Ontem eu escrevi sobre a mediocridade do time do Londrina Esporte Clube, e não é que hoje o jornalista Cláudio Osti foi mais fundo na questão. Veja o que ele escreveu no Jornal de Londrina clicando aqui.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A mediocridade do nosso Tubarão

No mundo globalizado, quem não partir para a profissionalização estará fadado ao fracasso. A tese vale para as pessoas físicas e para pessoas jurídicas, sem exceção.
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Tenho acompanhado, ao largo, a crítica situação do Londrina Esporte Clube, um time pequeno que se acha grande. De grande, o LEC só teve o seu mascote: o temido tubarão.
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A mediocridade do clube contaminou inclusive a imprensa esportiva da cidade, e isso é ruim, porque nesta condição os veículos de comunicação passam a prestar um desserviço ao cidadão.
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Olhe a chamada de hoje do Departamento de Esportes da poderosa Rádio Paiquerê AM, a maior rádio do Norte do Estado: “Tubarão aguarda definição do gestor Adir Leme”.
O quê? Um time de futebol, que se pretende empresa, dependendo de decisões de uma pessoa? E essa é a manchete do Esportes da Rádio? Que coisa, quanto pequenez!!
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De um modo geral, os jornalistas esportivos de Londrina, independentemente dos veículos onde trabalham, ingenuamente valorizam a mediocridade do time. “Manchetear” ou somente destacar no jornal ou no rádio parcerias do clube com uma pessoa não ajudam a tirar o time do buraco (nada contra o “gestor” Adir Leme da Silva). Procurem manchetes melhores, por favor!
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Melhor fariam os jornalistas se provocassem a direção do clube a mudar a sua filosofia de trabalho, a pensar grande, como pensam a direção de muitas equipes estabelecidas em cidades relativamente do porte de Londrina (ou menores, até), como Caxias do Sul, Bragança Paulista, São José do Rio Preto, São Caetano do Sul e outras.
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Do jeito que está dá a impressão que o clube é usado apenas para promoção dos grupos pessoais e empresariais que o controlam – com a complacência involuntária da mídia –, em detrimento da imagem do time. E olha que volta e meia a crítica acentua-se quando aparece algum diretor “iluminado” do clube batendo à porta do Poder Público (Prefeitura) para pedir dinheiro ou algum benefício... Não pode, né? Aliás, a imagem de pedinte já grudou no clube em tempos não muito distantes, e infelizmente tinha gente da crônica esportiva apoiando tal mendicância.
Estes profissionais de imprensa, fazendo jus à expressão “jornalismo light”, pouco falam ou não questionam se vale a pena dar corda para tais filosofias.
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Hoje, o Londrina tem contra si 131 ações trabalhistas, perto de R$ 6,5 milhões de prejuízos. E é apenas uma parte de todo o problema que o time carrega ao longo da sua história.
Eu, particularmente, acho que não há solução enquanto se pensar pequeno e de forma amadora. É preferível fechar as portas.
(Para piorar, o time está parado porque não disputa nenhum campeonato no momento, e quando joga, joga torneios de segunda linha, de pouca expressão e pouco rentáveis.)
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Não sou contra o nosso Tubarão. Sou realista. A continuar assim, o time vai se consumir sozinho e a carente imprensa esportiva da cidade ficará zerada.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Propaganda extemporânea é relativa

A Justiça Eleitoral paulista condenou a “Folha de S. Paulo” e a revista “Veja São Paulo” por terem publicado entrevistas com a pré-candidata Marta Suplicy fora da época eleitoral, o que é proibido segundo a legislação pertinente.
A punição: multa para a Folha no valor de R$ 21.282,00; para a Editora Abril, no mesmo valor; e multa para a própria pré-candidata, de R$ 42.564,00.
O juiz entendeu que houve propaganda antecipada nas entrevistas concedidas aos dois veículos no dia 4 de junho, mas ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral.
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A decisão virou polêmica e está recebendo críticas de todo o lado. Uma das entidades de classe que se manifestaram foi a Associação Brasileira de Imprensa.
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O presidente da ABI, Maurício Azêdo, não deixou por menos e “lascou pau” em cima da Justiça.
A ABI lamenta ter de reafirmar que o Poder Judiciário é atualmente o maior inimigo da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão no país, como tem ficado evidente na farta massa de decisões e de despachos colidentes com essas franquias constitucionais emanados de juízes”.
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Jogou pesado o Azêdo, mas tem sentido sim.

Economia sem complicação

No mundo globalizado como o de hoje, cada vez mais se faz necessário a imprensa facilitar, ao máximo, a vida das pessoas. O tema “Economia”, por exemplo, acaba por estar presente no nosso dia a dia, queiramos ou não.
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Então, como dominar o assunto quando os “entendidos” da mídia apelam ao economês para explicar as vicissitudes do cotidiano econômico local, estadual, brasileiro e mundial?
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Encontramos, entretanto, alguns jornalistas inteligentes capazes de decifrarem para nós esta língua tão esdrúxula. Um deles é o competente Carlos Alberto Sardenberg, comentarista econômico da TV Globo e âncora da rádio CBN.
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Todos os dias ele pega a latinha para comentar e analisar notícias econômicas com bastante propriedade. E o melhor sabe o que é? É que ele trata do assunto à base do bê-a-bá: explica passo a passo os lances da economia, de forma coloquial, dando um verdadeiro “tapa” no odiado economês.
É muito bom ouvi-lo!

sábado, 21 de junho de 2008

Sempre a culpa é da imprensa, né?

Hoje a primeira reação de qualquer corrupto preso em flagrante é culpar imprensa.”
A frase acima não é uma frase solta, e nem foi eu mesmo quem a cunhou. Surgiu aos ventos, há muito tempo, e a tempo do experiente jornalista carioca Alberto Dines inseri-la no artigo “A Culpa é da Imprensa”, publicado hoje em alguns dos principais jornais do país.
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E é verdade. Normalmente os inescrupulosos apelam para esta velha desculpa, e tenho a impressão que ela vai continuar sendo infelizmente sacada pelos pseudo-espertos.
Nos dias de comunicação globalizada e de tecnologia da informação, sempre haverá uma imprensa por perto para os malandros profissionais depositarem suas agruras.
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Veja o que escreveu o Dines. É muito interessante:

A culpa é da imprensa

Os adjetivos são fortes e justificados: é absurda, maligna e estúpida, a decisão tomada por um juiz paulista ao multar dois veículos jornalísticos (“Folha de S. Paulo” e “Veja-S. Paulo”) pela publicação de entrevistas com a pré-candidata a prefeita, Marta Suplicy (PT), antes de iniciada a temporada eleitoral. Mais discricionária ainda foi a multa aplicada à própria entrevistada. Ao que tudo indica o “Estado de S. Paulo” também será incluído no intempestivo furor punitivo por causa de uma entrevista com o atual prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab.
O procedimento adotado pelo juiz auxiliar Francisco Carlos Shintate e as promotoras do Ministério Público Eleitoral que prepararam as representações não pode ser visto como ato impensado, fruto de eventual incontinência. Ação estudada, isso é que lhe confere tanta periculosidade e deixa abismados juristas e magistrados das instâncias superiores. Além de evidenciar o despreparo e a precariedade na formação de bacharéis, a medida revela uma falha estrutural no edifício republicano resultante do acúmulo de sucessivos trincamentos. O mais visível é o escancarado desrespeito pela imprensa como instituição.
A crítica ao desempenho dos meios de comunicação é legítima, necessária, representa um avanço democrático. Mas quando governo e governantes se fingem de vítimas e, a pretexto de contestar tópicos do noticiário, distribuem ameaças cria-se um perigoso fosso de desconfiança no âmago da sociedade.
Hoje a primeira reação de qualquer corrupto preso em flagrante é culpar imprensa. Sem coragem para enfrentar a Polícia Federal que os investigou ou encarcera, preferem desancar a imprensa que noticia seus feitos e malfeitorias. O juiz auxiliar e as auxiliares que produziram as insólitas multas em S. Paulo apenas reproduziram o generalizado clima de animosidade contra os mensageiros. A melhor prova da má vontade está no parecer enviado quinta-feira pela Advocacia-Geral da União ao Supremo Tribunal Federal defendendo a manutenção na Lei de Imprensa de punições mais duras para jornalistas. Isso no exato momento em que o próprio STF examina a extinção do estatuto herdado da ditadura para substituí-lo por algo mais moderno e compatível com o estado democrático.
O juiz Shintate revela-se um leitor relapso de jornais e revistas (deve preferir a TV), desconhece a tradição jornalística de publicar séries de entrevistas com todos os candidatos em eleições majoritárias, independentemente do início formal da temporada. Entrevistar candidatos não é fazer propaganda, é um serviço público obrigatório. Veículos impressos (ao contrário dos eletrônicos sujeitos a concessões e regulamentos), desde que não caluniem ou ofendam, só devem satisfações aos seus leitores.
O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, numa série de depoimentos ao repórter Ricardo Kotscho no portal “Último Segundo” teve a coragem de reconhecer que as relações governo-imprensa continuam a apresentar um alto grau de tensão. É possível que ao governo desagrade a cobertura da imprensa no caso da venda da Varig, mas a tensão é injustificada já que a imprensa apenas reproduz investigações ou denúncias. Se não o fizesse estaria traindo seus compromissos com o leitorado.
Nesta sexta-feira, agentes da Polícia Federal (órgão do Poder Executivo) invadiram os gabinetes de dois deputados (representantes do Legislativo) envolvidos em desvio de recursos destinados ao PAC. A repercussão é enorme. Culpa da imprensa?
Em determinadas situações a própria imprensa contribui para agravar desconfianças sobre sua atuação. Caso do não menos surpreendente boicote às comemorações dos 200 anos da circulação do primeiro periódico no país, o “Correio Braziliense”, lembrados apenas por dois veículos (“Folha de S. Paulo” e o homônimo contemporâneo do Distrito Federal) e ostensivamente ignorados pelos demais. Pecado mortal ou venial, mas significante.
O sábio d. Pedro II dizia que os erros da imprensa devem ser corrigidos pela própria imprensa. Ávido leitor de publicações, o imperador estabeleceu uma jurisprudência moral que leitores bissextos e desatentos deveriam levar em conta antes reviver a triste imagem da mordaça.”

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Factóides do César

O prefeito do Rio, César Maia, é político mas, antes disso, é um pensador da política. Eu, particularmente, não estou gostando da sua administração municipal, mas rendo os meus respeitos à profundidade dos seus conhecimentos.
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Hoje ele publicou , em seu “Ex-Blog”, o título “Factóide”, onde trata dos fatos que viram notícia na mídia. Vale a pena ler:

1. A expressão "factóides" foi criada pelo escritor Arthur Miller, e depois usada por Alberto Dines em um artigo quando trabalhava em Lisboa. Em 1991, quando o atual prefeito do Rio, realizava pesquisas sobre comunicação política, duas leituras, uma do livro de Katleen Jamieson (Comunicação na Era Eletrônica) e outra de um artigo de Stela Senra (O Último Jornalista) ajudaram a entender as razões de um fato se transformar em noticia. Uma delas -numa sociedade da imagem- é que os fatos venham carregados de imagem, tanto em relação a quem está no centro dele, como em relação a quem narra.

2. A busca de uma palavra que traduzisse isso o levou de encontro ao uso da expressão "factóide". Numa reportagem sobre o prefeito, na revista Veja em 1993, o jornalista Alfredo Ribeiro, destacou a questão, exagerando. O titulo da matéria foi: "Governar é lançar Factóides". O prefeito estava numa fase de testes. Havia conseguido emplacar diversas fotos em matérias onde estava no centro dos fatos, havia conquistado várias capas de jornais e revistas e introduzido nos programas de rádio em que era convidado, a narrativa através de imagens.

3. O excesso nestes testes terminou lhe valendo como interpretação: maluco... O desgaste valeu, pois se passou a ter uma tecnologia experimentada de comunicação política, desenvolvida e comprovada. Mas -talvez por preconceito- factóide passou a ter uma tradução equivocada. Do que é -um fato carregado de imagem- passou a ser percebido como -um pseudo-fato- que é coisa diferente. Já em 1996 o "Aurélio" o incorporava no dicionário. Mas a versão do factóide como pseudo-fato se tornou mais difundida.

4. A partir de um certo momento, editores passaram a ter um cuidado excessivo com as imagens que o prefeito carregava em seus atos e fatos, o que produziu uma exclusão desnecessária de várias matérias, numa espécie de atenção para que "ele não nos use".

5. Toda essa introdução é para chamar a atenção dos políticos -pois precisam usar esta tecnologia, buscando a notícia através de factóides- ou seja, fatos carregados de imagem. Quando a imagem não carrega fatos, esta é percebida pelas pessoas de forma negativa, como alegorias vazias e até pseudo-fatos, negando o fato que se quer destacar. Por exemplo: quando o presidente vai a uma plataforma de petróleo e mostra as mãos com óleo ele produz um factóide, pois a imagem carrega ou expressa um fato efetivo que quer destacar. Mas quando o governador anda de triciclo em Berlim, ele provoca um efeito negativo, no máximo uma alegoria. Não há fato: a imagem está solta.

6. Muitas vezes quando um político busca a imagem sem se preocupar com o fato, ele oculta o fato. Por exemplo: numa inauguração da reforma do Maracanã, presidente e governador resolveram bater pênaltis. Conseguiram a imagem, mas ocultaram o fato. Na comemoração de um ano de funcionamento de um posto de saúde, o governador dançando com a esposa, destacou o dia dos namorados, mas ocultou o fato. O presidente quando coloca o chapéu do MST, legitima o MST. Quando coloca um boné na Bolsa de Valores de SP, oculta o fato. A foto deveria ser dele batendo o martelo como se faz em NY.

7. O prefeito na fase de testes cometeu esses erros algumas vezes. Inevitável para aprender. Mas com anos em que essas questões estão mais que analisadas e são amplamente conhecidas pelos publicitários em política, não se justifica mais, que continuem a ser cometidos. Que os factóides sejam factóides para valer. Que se saiba o que são e como se os deve comunicar. Para que as queimaduras de primeiro grau não se transformem em de segundo ou terceiro grau.
Aquele que luta contra nós fortalece nossos nervos e aprimora nossas qualidades.

Edmund Burke

sábado, 14 de junho de 2008

A imprensa não ‘pesca’ os escândalos

Muita gente confunde e atribui à imprensa a descoberta dos muitos escândalos políticos que acontecem neste país. Mas não é bem assim. De um modo geral, o papel da imprensa é extremamente relevante mas não sob este aspecto.
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A maior contribuição da mídia (as sérias) é amplificar os detalhes dos escândalos para a sua máxima absorção – o que beneficia, e muito, a opinião pública.
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É verdade que algumas descobertas nacionais acontecem pela imprensa, como é o caso do famoso Mensalão, o das Ambulâncias e até as puladas de cerca do senador Renan Calheiros. (Bem, estamos falando dos escândalos mais recentes...)
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Por conta da mídia, os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB) e o todo-poderoso José Dirceu (PT) tiveram os seus mandatos cassados. Outros tantos renunciaram ou não se reelegeram porque foram condenado pelas urnas nas eleições subseqüentes.
Calheiros conseguiu perder os anéis, não os dedos: deixou a poderosa presidência do Senado e hoje vive “escondido” dos holofotes, nas sombras daquele soturno plenário.
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Uma prova de que a imprensa nem sempre pesca os escandalosos, porém, pode ser vista nas periferias do país. Londrina, no Norte do Paraná, por exemplo, teve o prefeito Antônio Belinati cassado no ano 2000 por conta do estigmatizado Caso Ama/Comurb, mas a descoberta do problema se deu através da então vereadora Elza Correia, que descobriu um contrato da Prefeitura para a aquisição de lixeiras superfaturadas. O novelo do Ama/Comurb foi sendo desenrolado até chegar em uma unidade de saúde que tinha sido pomposamente inaugurada pelo prefeito.
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Foi ali que o prefeito caiu, mas não foi porque a imprensa descobriu. A imprensa da ocasião, porém, deu publicidade e fez uma cobertura maciça em torno do caso, ajudando a formar a opinião pública local e estadual.
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Oito anos depois, Londrina novamente vive enlameada em outro escândalo político, agora (por enquanto) envolvendo a maioria de seus vereadores.
O caso iniciou dia 10 de janeiro com a prisão do ex-vereador Henrique Barros, acusado de concussão e outras irregularidades.
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A prisão foi um mérito exclusivo da Promotoria Pública. Ela é quem descobriu as barbaridades e chamou a imprensa para dar publicidade. Até hoje as manchetes dos jornais diários dão conta do caso – que parece não ter fim.
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A imprensa ajuda muito e tem realmente a força do Quarto Poder, mas em se tratando de investigar e dar furo de reportagem deixa muito a desejar. Quando isso acontece, acontece quase que estritamente através da grande imprensa dos grandes centros, desde que não seja através de veículos chapas-brancas.
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Dificilmente a mídia interiorana descobre improbidades administrativas. Ela funciona mais como uma assessoria, um apêndice da comunicação do Ministério Público e de entidades de classe. Bate ponto quase que diariamente nestes locais.
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Isso acontece porque os proprietários desses veículos não investem em capacitação profissional, trabalham com quadro de pessoal enxuto, promovem grande rotatividade de funções, contratam os baratos “focas” e, pior, muitas vezes estão comercialmente “amarrados” com o Poder, numa relação promíscua e danosa para todos.
De quebra, os jornalistas caipiras são, de um modo geral, politicamente ingênuos e inexperientes. Só mesmo com bastante tempo de labuta para aprender.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Os 5 faltosos da CSS

Na Câmara Federal, o resultado da votação da nova CPMF, que agora usa o codinome “CSS” (Contribuição Social para a Saúde), gerou grande polêmica no país. Não é para menos: a grande maioria dos brasileiros não quer o imposto.
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Mas o que me deixa indignado é ver que só uma parte dos veículos de comunicação publicou a lista dos parlamentares que votaram a favor e contra o impopular imposto. Outros só colocaram os que participaram da votação, mas não publicaram os faltosos, que em alguns lugares estão sendo chamados de “fujões”.
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Se fugiram ou se estavam no banheiro, não me importo. O que quase nenhum jornal, rádio ou televisão conta ou não especula é por que estes não votaram. A maioria diz que ficou doente, mas... nunca se sabe. O que se sabe é que alguns são pré-candidatos nas eleições de outubro e, coincidência ou não, a sua ausência no plenário da Casa no dia 11 à noite os livrou de “queimarem” a sua imagem perante o eleitorado – isto, evidentemente, se estivessem propensos a votar a favor.
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Por que muitos veículos não publicaram os nomes dos ausentes?
Bom, como este blogue é do Paraná, vou publicar só o nome dos paranaenses faltosos. São cinco: André Vargas (PT), Assis do Couto (PT), Luiz Carlos Hauly (PSDB), Ratinho Júnior (PSC) e Rocha Loures (PMDB).
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Vou repetir: André Vargas (PT), Assis do Couto (PT), Luiz Carlos Hauly (PSDB), Ratinho Júnior (PSC) e Rocha Loures (PMDB).
(Coloquei os nomes em marrom porque é a cor da fezes.)
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Os outros 25 parlamentares votaram. Pelo menos foram corajosos e marcaram posição. Veja como eles votaram ali em cima.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Usando a mídia para comemorar

O Governo, através do Ministério da Educação, divulgou hoje as notas obtidas pelos Estados brasileiros no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), versão 2007, e os números não são nada animadores.
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De um modo geral, os valores obtidos são melhores do que os de dois anos atrás.
A pesquisa é feita bienalmente no Ensino Fundamental (Fases I e II) de todo o país, mas o que vemos é um progresso muito pequeno. O Brasil continua tirando nota vermelha no ensino.
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Mesmo assim, a grande imprensa se contentou em dizer apenas que os números melhoraram. Poucos foram os veículos de comunicação que questionaram a profundidade e a problemática da educação, mesmo tendo o sério ministro Fernando Haddad declarado que este Ideb foi considerado “pior do que regular”. (Pelo menos ele foi sincero.)
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Os índices subiram, mas não há o que comemorar. Pelo contrário: há muito o que cobrar e principalmente o que investir.
Nos países desenvolvidos, o índice médio obtido é 6 (na 4ª Série); 5,5 (8ª Série) e 5,2 (Ensino Médio). No Brasil, com os índices divulgados hoje, são respectivamente 4,2; 3,8 e 3,5. Em 2005 haviam sido 3,8; 3,5 e 3,4 – quer dizer: continuamos no vermelho. Na nota e nos investimentos.
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Mas não tem muito o que inventar para resolver os problemas. Como diz o professor Cláudio de Moura e Castro, basta o arroz-com-feijão: 1 – Investir mais recursos no sistema educacional; 2 – Melhorar a qualidade didática; 3 – Reciclar os professores; 4 – Melhorar os salários do corpo docente; 5 – Implantar suporte tecnológico de vanguarda nas salas de aula; 6 – Criar novos atrativos e incentivos para o aluno através de uma moderna metodologia de ensino.
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Se o MEC fizer tudo isso, quem sabe poderemos obter uma média 7. O que acha?

Para Ticiana, só falta carisma

Nada contra a morena Ticiana Villas Boas, apresentadora do “Jornal da Band”. Acho até que ela está fazendo bonito ao lado do Boechat e do Joelmir, na bancada do jornal. Dá um toque especial.
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Mas é que eu estou com saudade da sua antecessora, a loira Mariana Ferrão, que virou repórter da Globo de São Paulo. Há tempos eu não via tamanha competência e dinamismo no ar. São poucas as vezes que a TV brasileira gera grandes profissionais como ela. Uma pena!
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Na verdade, as duas “anas” – a Mariana e a Ticiana (na foto) – são excelentes profissionais, têm presença, boa fotogenia, transpiram simpatia e, acima de tudo, transmitem segurança e confiança para o telespectador.
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Na Globo, a Mariana deu uma sumida e com certeza teve que se enquadrar no controvertido “Padrão Globo de Qualidade”. Em outras palavras, foi “podada”. Já dizia a jornalista Lílian Wite Fibe: “Na Globo a gente pega doença”.
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na Band, a Ticiana está indo bem. Ela dá conta do recado, mas acho que o que lhe falta é o que sobrava nas apresentações da Mariana: carisma.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Ninguém experimenta a profundidade de um rio com os dois pés.
(Provérbio africano)

sábado, 7 de junho de 2008

Os batatas e o jornalismo

O escândalo vivenciado pelos vereadores de Londrina provoca muita inspiração na Imprensa local, e tem sido uma grande escola e uma experiência imensurável para os profissionais do jornalismo que querem, de fato, trilhar pela ética e pela dignidade.
Temos visto novos nomes do jornalismo surgirem nas coberturas diárias deste caso que parece não ter fim. As falcatruas dos edis batatas-podres ainda vão dar muito pano para manga. Infelizmente.
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Hoje ainda temos os veteranos Fernando Brevilheri (Paiquerê AM) e Fábio Silveira (Jornal de Londrina), ambos com larga experiência no caso Ama-Comurb, e a eles juntam-se a Janaína Garcia, da Folha de Londrina e da Rede Massa; e o Fábio Cavazotti, também da Folha e da Rádio Brasil Sul. Este último, aliás, tem realizado um trabalho exemplar.
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Usando uma linguagem simples, bastante acessível, Cavazotti vai fundo no “Caso das Batatas Podres”. A edição de hoje da Folha de Londrina, na página 4, é um exemplo. Uma página inteira, assinada por ele, retrata em tópicos curtos e objetivos o teor dos depoimentos até agora proferidos ao Ministério Público pelo ex-vereador e batata-podre Orlando Bonilha.
O depoimento do batata foi maçante e gastou calhamaços e calhamaços de papel, mas o Fábio soube traduzi-lo com bastante competência.
Parabéns, Fábio!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A profecia do Orlando

Olha, se você me perguntar qual o melhor telejornalismo do Brasil (ou o “menos ruim”) respondo sem titubear: o “Jornal da Band”, da Rede Bandeirantes (Band), que passa de segunda a sábado às 19h20.
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Ontem, em pleno Dia Mundial do Meio Ambiente”, eles passaram uma matéria “excelente” sob título "Profecias" de Orlando Villas Boas sobre a Amazônia”. Excelente e ao mesmo tempo preocupante, pois tratava-se de uma grave denúncia de que os americanos, enfim, já estão com um pé bem firme na nossa querida amazônia – a maior reserva biológica do planeta.
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O competente repórter Fábio Pannuzio foi fundo e revelou algo sinistro sobre o futuro das terras indígenas naquela região.
Clique ali em cima e assista. Vale a pena, e que nos sirva de alerta!

domingo, 1 de junho de 2008

Mídia ingênua

Em se tratando de política, a imprensa londrinense ainda é muito ingênua. Sexta-feira e sábado cedinho muitos jornalistas davam como certo que a Câmara Municipal da cidade estaria lotada durante o julgamento do ex-vereador Orlando Bonilha, que no fim teve os seus direitos político cassados.
Ledo engano! Dos 160 lugares disponíveis, apenas metade foi lá acompanhar.
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Outro engano foi quando a imprensa achava que não haveria discursos dos vereadores durante o julgamento do foragido Bonilha. Os profissionais de imprensa achavam que a sessão seria relativamente tranqüila porque Bonilha, com mandado de prisão decretado, não mandaria defensores.
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Apesar da “cegueira” da mídia, a ausência popular na sessão de julgamento era evidente, pois Bonilha está longe de ser uma personalidade carismática – se assim o fosse atrairia a atenção da opinião pública, como aconteceu com o ex-prefeito e deputado estadual Antônio Belinati.
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No caso dos pronunciamentos dos vereadores, vale uma pergunta: você acha que um político iria perder a oportunidade de fazer pronunciamentos demagógicos numa hora como essa?
Não deu outra: quase todo mundo falou.
Às vezes pedimos coisas para a vida que ela não tem como nos oferecer, mas às vezes ela nos dá coisas que não sabemos como agradecer...