sexta-feira, 27 de junho de 2008

Jornais vão acabar?

O dilema em torno da existência dos jornais impressos é algo que sempre está presente nas redações, nas faculdades de jornalismo e até nos meios empresariais. Em muitos casos, aliás, é tema de acalorados debates e de teses de mestrado e doutorado.
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O repórter Lourival Sant’Anna, do Estadão de São Paulo, é outro que toca apropriadamente no assunto. Um pouco do que ele pensa foi divulgado hoje no site do meu amigo Carlão Arruda (www.nomomento.jor.br). Veja só:

O destino dos jornais
Além de enfrentarem a concorrência da agilidade da Internet, os jornalões tradicionais americanos sofrem com a crise da economia potencializada pelos abalos nos mercado imobiliário e de hipotecas.
O NY Times disse ontem que se prevê uma fase de demissões, aquisições e falências no setor de jornais.Fala também em terceirização da impressão e diminuição dos dias de circulação. Em 2007, a perda de publicidade nos jornais americanos foi de 8%. Este ano, já alcançou 12%. Em maio as perdas teriam sido de 15%.
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A propósito desse assunto - o futuro dos jornais- um dos melhores repórteres brasileiros, Lourival Sant'Anna, do Estado de S. Paulo, acaba de lançar um livro da sua ótima dissertação de mestrado pela USP, em que analisa o destino dos nossos jornalões.
"Jornalista de jornal", como ele próprio se define, Sant'Anna defende que, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, o jornal não vai acabar no Brasil. "O ato de ler no papel vai permanecer", acredita, " desde que se crie uma nova roupagem para nossos diários. "O jornal terá de partir para a interpretação, análise e narração dos fatos que o leitor já soube no dia anterior pelo rádio, TV ou internet". O jornal, segundo o repórter, irá se aproximar da revista e terá a vantagem de sair diariamente, porém com tiragem menor e tamanho reduzido.
O texto terá de ser melhor. "Um texto de ótima qualidade", ressaltou, "sem precisar ser chato, sisudo ou muito longo".
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Repórter do Estadão há 18 anos, Sant'Anna diferencia a interpretação que o jornal deve fazer da mera opinião. "O jornalismo imparcial, idôneo está acabando", disse, lembrando, no entanto, que a informação mais crível será sempre escrita por um jornalista. Na internet ou não, diz Sant'Anna, o jornalismo tem a sua função: "escolher o que é mais importante, o que é verdadeiro e o que significa para as pessoas".

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