quarta-feira, 9 de julho de 2008

Rei na barriga

O estrelismo de algumas figurinhas da grande imprensa nacional incomoda e mostra que a hipocrisia no jornalismo é tão grande quanto na política, no meio artístico e em outros badalados segmentos profissionais.
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Uma professora de Londrina, por exemplo, tentou, tentou, tentou até que conseguiu falar com o consagrado Gilberto Dimenstein, da “Folha de S. Paulo”. Ela queria um favor ou mesmo uma indicação (uma dica, que fosse) para uma obra literária que ela havia publicado.
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Dimenstein mal atendeu o telefone. Disse que estava com pressa e pediu pra encaminhar a solicitação por email – o que foi feito – e que assim que ele tivesse uma posição sobre o pedido ele retornaria.
Isso já faz mais de 20 dias... Pelo jeito, a dedicada professora é irrelevante para certas pessoas.
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Existem jornalistas por aí que precisam tirar o rei da barriga.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A famosa lista na Acil

Olha, se há um periódico de boa qualidade no geral, este é o “Jornal da Acil”, órgão de divulgação da Associação Comercial e Industrial de Londrina. A publicação é capitaneada pelo experiente jornalista Roberto Francisco.
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No passado, na época da presidência do temperamental David Dequech Neto, o “Jornal da Acil” chegou a dar uma balançada em cima da linha ética, mas superou depois. Hoje é um exemplo do bom jornalismo.
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A edição de junho é particularmente interessante. Em uma matéria de duas páginas, o jornalista José Antônio Pedriali faz um belo resumo da crise moral que assola o Legislativo londrinense. O título: “Câmara, Triste História”.
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Pedriali publica a foto dos vereadores envolvidos nos inúmeros escândalos propineiros e, o melhor de todos, reproduz a famosa “Lista do Caldarelli”, que foi manuscrita pelo vereador afastado Renato Araújo. Nela, o leitor pode ver o nome dos nove vereadores que supostamente teriam recebido um “cachê especial” para aprovar um projeto de lei de interesse do empresário londrinense Marcelo Caldarelli.
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É a mesma lista que publicamos aqui na ocasião. O fato é que os diários, as rádios e as tevês da cidade se abstiveram de divulgá-la naquela época, no final de fevereiro. Não sei por que, já que a lista faz parte do processo e foi obtida pela imprensa. É notícia, não? A veracidade da lista, aliás, havia sido confirmada.
Ponto para o Pedriali!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

São assim, ó...

PERGUNTINHA:
O “Hora H News”, diário curitibano, têm relações políticas com os tucanos?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Não publicaram nada

Estranho... a declaração de Barbosa Neto de que o deputado federal Luiz Carlos Hauly é quem estaria por trás das denúncias formuladas pelo ex-assessor Luciano Lopes não foi inicialmente citada nos blogues “Paçoca com Cebola”, do Cláudio Osti; no do jornalista Délio César, e no do José Pedriali, todos de Londrina. Por quê?
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Gosto muito do Cláudio, do Délio e do Pedriali, mas reconheço também que eventualmente eles têm fortes relações com Hauly. Ou no campo profissional ou no político. E eles não escondem nada de ninguém - o que fazem muito bem, estão corretíssimos.
A crise que abala Barbosa Neto não é a questão aqui, neste momento. O que não pode é ignorar uma importante declaração, em que pese os compromisos e os companheirismos de cada um.
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Barbosa havia incisivamente mencionado Hauly, de público, durante discurso feito no plenário da Câmara dos Deputados. Foi ontem à tarde. O ataque dele contra o Hauly entrou nos famosos “Anais da Casa” - e isso, e só por isso, já é notícia, é jornalismo. Tanto que muitos jornais e sites publicaram o fato.

Checar as informações antes

Ex-assessor do deputado federal Barbosa Neto (PDT-PR), Luciano Ribeiro Lopes, montou um dossiê contra o parlamentar e o entregou à Procuradoria Geral da República, em Brasília, onde pede que os documentos sejam motivos de um amplo inquérito.
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Não se sabe o que levou Lopes a apresentar a papelada. Seria por pura vingança? Vaidade? Orgulho? Ou um heróico ato de cidadania?
O fato é que a PGR deverá investigar, mas isso politicamente não é o mais preocupante para Barbosa Neto. Candidato a prefeito em Londrina, ele teme um possível estrago que o fato pode causar à opinião pública (que tem título de eleitor) às vésperas do pleito de 5 de outubro.
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O caso foi dado em primeira mão, domingo, pelo conhecido jornal “Correio Braziliense”, da Capital Federal. O famoso matutino pecou em algumas coisas, o que acabou por gerar uma pequena série de informações desencontradas e inverídicas.
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O principal problema do Correio foi publicar a versão de Lopes sem checar algumas das suas informações. Resultado: muitos jornais de Londrina e do Paraná reproduziram, na mesma semana, o conteúdo do CB, e da mesma forma não checaram alguns dados apresentados pelo ex-assessor antes da publicação.
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Faltou também publicar um perfil ou um histórico do denunciante. O leitor precisava saber quem é Luciano Lopes na ordem do dia, é ou não é? (Não estou suspeitando de Lopes, só estou constatando um problema do jornal.) Este tipo de informação, pois, é um elemento importante para posicionar o leitor perante a notícia e principalmente para dar veracidade às denúncias.
Você, que leu as notícias no Correio, sabe quem é Luciano Lopes? Qual a sua vida pregressa?
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O que se viu foi um “efeito dominó” de erros, que foram passados aos leitores como se fossem dados acertados. O maior prejudicado, portanto, foi quem absorveu a notícia.
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Já manifestei aqui que, em pleno Século 21, ainda carecemos de um jornalismo mais responsável. Volto a perguntar: Cadê o jornalismo investigativo?


"O prefeito precisa ser o grande líder da cidade."

Alex Canziani