sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Não saiu bem na foto

O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, recebeu o seu sucessor, Eduardo Paes, para tratar da transferência do poder, em janeiro. O encontro teve a sua importância do ponto de vista político, o que naturalmente forçou a presença da imprensa.
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Os dois fizeram o que tinha que ser feito, mas Maia, pelo jeito, ficou inconformado com o tratamento fotográfico dado pelos jornais fluminenses. Não vem ao caso saber se ele tem razão ou não, mas a sua avaliação sobre o episódio é de se pensar. Veja o que ele escreveu em seu conhecido “Ex-blog”:

AS FOTOS E O JORNALISMO!

1. A comunicação é comandada pelas imagens. A TV é por isso mesmo, a mídia mais importante. Nos jornais, o fotojornalismo passou a ter tanta ou mais importância que as manchetes, e muito mais que os textos. Em geral, as pessoas "lêem" as fotos e o pequeno texto que as acompanha. E passam uma vista pelas manchetes, chamadas e boxes. Isso é a matéria para mais de 90% dos que a "leram".


2. Se há uma contradição entre as chamadas (leads) e as fotos, prevalece na memória a mensagem dada pelas fotos. Há exemplos todos os dias.


3. Na terça-feira dia 28 de outubro, o prefeito eleito pediu audiência ao prefeito do Rio. Na reunião estiveram presentes além desses, os três membros da comissão de transição da prefeitura, o líder do governo na câmara municipal, o futuro vice-prefeito e o coordenador da transição representando o novo prefeito.


4. A reunião foi extremamente cordial, solta, e prática em relação à transição, com pedidos e sugestões. As câmeras de TV e fotografia só tiveram acesso após a reunião encerrada. As fotos clássicas foram feitas, de aperto de mão, etc.. Centenas de fotos em série, quando se pega as pessoas alegres, piscando, sérias, olhando para aqui e para acolá.


5. Na hora de editar as fotos, se dá a seleção o caráter que se quer dar da reunião. As fotos escolhidas criaram a sensação de uma reunião tensa, e mesmo que as chamadas não tenham dito isso, as fotos e seus pequenos textos disseram.


6. No dia seguinte, os levantamentos feitos pela manhã sobre leitura dos jornais deram como versão da reunião o constrangimento, a circunspecção, o afastamento... enfim, uma reunião tensa. O conteúdo da reunião foi mudado pelas fotos editadas. Para este Ex-Blog, retratou nada mais do que nos ensina a teoria e investigações sobre comunicação e jornalismo hoje, fartamente documentadas. Como este Ex-Blog já explicou, factóide é um fato carregado de imagem. É diferente de pseudo-fato, que é a impressão que um fato dá ao ser transmitido com imagens inversas.

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