domingo, 8 de fevereiro de 2009

O "círculo virtuoso" das campanhas eleitorais

Quando os candidatos a cargos políticos fazem uma previsão de quanto pretendem gastar numa campanha eleitoral, a tendência da imprensa e do povo é criticarem os valores anunciados, normalmente astronômicos.
Entendo que o anúncio de custos significativos de uma campanha é muito suspeito, porque faz a gente imaginar de onde virá esse dinheiro e quais os interesses políticos que estão por trás dos financiadores ou dos doadores dos candidatos. Mas o meu cisma morre aí.
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Isto porque, de outro lado - e paradoxo à parte -, encaro com alegria os gastos substanciais dos candidatos, pois é um dinheiro que obviamente será usado na aquisição de materiais de campanha, no comércio e principalmente na contratação de profissionais. Em suma: o dinheiro que os candidatos pretendem gastar em suas campanhas vai ajudar a girar a roda da economia do município. É o chamado “círculo virtuoso”.
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Só para se ter uma ideia, a direção da entidade que rege as gráficas do país havia anunciado, um pouco antes da eleição de outubro do ano passado, que a expectativa de suas empresas era aumentar os seus efetivos de funcionários em 40% e abrir quatro turnos de trabalho (manhã, tarde, noite e madrugada), tudo por conta das demandas geradas. Tudo por conta das campanhas eleitorais.
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Portanto, quando a gente pensa na atual crise econômica e no desemprego, uma eleição extemporânea, como esta de Londrina, vem em boa hora, não?
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Barbosa Neto anunciou que pretende gastar no máximo R$ 900 mil em sua campanha de “3º Turno”. Hauly, o adversário, deve ir mais ou menos por aí também. Isso significa que teremos pelo menos R$ 1,5 milhão correndo pelos caixas do comércio, das indústrias e pelas folhas de pagamento de segmentos importantes de empresas locais e regionais até dia 29 de março, data da eleição (claro, se nada de errado acontecer ou algum recurso jurídico impedir o pleito definido pela Justiça Eleitoral).
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Agora, resta-nos saber se os doadores e financiadores das duas campanhas eleitorais terão realmente muita di$posição para gastarem em tempos de “vacas magras”, em função da estigmatizada crise global que se instalou no mundo.

Um comentário:

Selene disse...

Não tinha pensado por este ângulo.