terça-feira, 4 de agosto de 2009

Cadeião ‘na chon, na chon’

Sou a favor da derrubada total do Cadeião da Sergipe para que aquela área seja ocupada por uma nova e relevante obra pública. Isso mesmo, respeito os jornalistas, agentes culturais, autoridades e representantes da comunidade londrinense que pensam o contrário, mas o prédio que abrigou a antiga cadeia pública, por 55 anos, não tem mais condições de ser reaproveitado.
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Admito que não sou um engenheiro ou um especialista técnico para fazer tal avaliação, mas desconfio que um prédio daqueles, hoje com 70 anos, está a ponto de ruir. Ele se encontra muito avariado, desgastado, e duvido que a sua estrutura aguente uma nova ocupação, como um museu, um centro de artesanato, camelódromo, centro comercial ou coisa parecida.
No seu subsolo há antigos túneis que serviram para tentativas de fugas. Na época, porém, foram devidamente lacrados, mas quem garante que esses “caminhos de minhoca” não afetaram a base estrutural do prédio?
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De qualquer forma, mesmo que esteja estruturalmente em boas condições e sem nenhum problema, sou a favor da demolição porque entendo que uma cadeia jamais deve entrar para a memória de uma cidade – ao contrário do que pensam os que a defende.
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É verdade que aquele prédio foi uma das obras marcantes do início de Londrina, mas mesmo assim acho que ficar com ele, ainda que reformado e revitalizado, numa esquina tão importante e valorizada, lembrando o passado miserável de ex-detentos (e de suas famílias), não é digno de nenhuma memória cultural. Nem deles, nem nossa, nem dos nossos visitantes.
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Sempre quando passo ali em frente fico um pouco deprimido, penso no passado e naquela gente que sofreu e que fez muita gente sofrer. E depressão não ajuda ninguém, não é recomendação médica. Reutilizar aquele prédio, portanto, é uma atitude, digamos, "psicomasoquista".
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Prédios históricos são importantes para a memória de uma comunidade e devem ser preservados A TODO CUSTO, mas prédios “condenáveis” (é, porque lá só ficavam condenados...) que nos lembram de cenas lamentáveis e tristes, não.
É o que penso.
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Como dizia aquela marcante personagem “Dona Armênia”, interpretada pela competentíssima atriz global Aracy Balabanian, na novela “Rainha da Sucata” (1990), gostaria de ver aquele prédio “na chon, na chon”.

2 comentários:

Renon Junior disse...

Apoiado!

Eliane disse...

Concordo plenamente. Aquilo lá é horrível, sombrio, chega a dar arrepios.