sábado, 12 de setembro de 2009

O pedestre Briguet e os pedestres

Simplesmente adoro os textos do jornalista e colega Paulo Briguet, do Jornal de Londrina. (Tivera eu as suas habilidades...)
***
Sua crônica deste dia 10 fala a respeito da campanha “Pé na Faixa”, que começará a ser realizada para melhorar as violentas estatísticas do trânsito de Londrina.
***
A propósito, acho que os motoristas são muito irresponsáveis sim, mas também acho que os pedestres têm muita parcela de culpa, principalmente quando vai atravessar uma via fora da faixa de (in)segurança e quando não atravessa uma movimentada rodovia ou avenida pela passarela. Deveriam multar os pedestres infratores, oras! Alguém aí já viu pedestre multado?
***
Bom, segue abaixo a crônica do Briguet, que pode ajudar ainda mais a esclarecer o tema.

Triste é o trânsito de Londrina

Não gosto de reuniões, mas hoje representei o jornal numa reunião sobre o trânsito da cidade. Fiquei sabendo que Londrina tem 254 mil veículos. Nossa! Há mais carros do que eleitores do Belinati.

Quinze anos atrás, quando estava em outro jornal, comecei um texto com o seguinte comentário: “Triste é o trânsito de Londrina: o pedestre desrespeita a sinalização, mas a sinalização também desrespeita o pedestre”.

Triste mesmo é ver que, uma década e meia depois, a situação só piorou. E digo isso como representante do nível mais baixo da cadeia alimentar do trânsito: o pedestre.

Sou pedestre porque não sei dirigir – nem a mim mesmo, muito menos automóvel.

As autoridades do assunto vão iniciar uma campanha de respeito à faixa de pedestres. Têm o meu apoio. O foco da campanha, apresentado ontem, é excelente e inteligente. A faixa faz o pessoal perder um tempinho? Faz, mas vale a pena. Como dizia o Seu Briguet, “é melhor perder um minuto na vida do que a vida num minuto”.

Mas não basta a pessoa respeitar a faixa; a faixa também tem que respeitar a pessoa. Há algumas faixas em Londrina que francamente. Uma delas foi capa do JL outro dia: na esquina da Goiás com a JK. Na verdade, trata-se de meia faixa. Vai só até o canteiro central da avenida. É como se a CMTU dissesse ao transeunte: “Daqui pra frente, pode se virar que você não é quadrado, filhão!”

Um dos mais arraigados costumes do motorista pé-vermelho – não dar seta quando vira a esquina – leva o pedestre a passar longe de certas faixas. O sujeito pensa: “Se o motorista não liga para a faixa e não dá seta quando vira, eu vou atravessar alguns metros adiante para não ser atropelado”. O pedestre, compreensivelmente, não quer morrer dentro da regras. Às vezes, prefere burlar algumas regras para não morrer. Respeito à faixa de pedestres é bom e a gente gosta. Mas todo mundo tem que respeitar, caso contrário não vira.

Há pedestres que arriscam a vida atravessando rodovias onde há passarelas. Se o motivo de não utilizar a passarela é a preguiça de andar mais um pouco, o pedestre está erradíssimo. Se o motivo de não utilizar a passarela é evitar um assalto, dou-lhe o benefício da dúvida. Às vezes é melhor ficar com um atropelamento duvidoso do que com um assalto certo.

Aqui na frente da RPC, todos os dias vemos motoristas e motociclistas furando o sinal vermelho. O sinal luminoso para pedestres foi apelidado de Usain Bolt: só o corredor jamaicano consegue atravessar a avenida a tempo. Pobre pedestre, que nem padroeiro tem. O dos motoristas é São Cristóvão. Quem não tem carro fica sem santo?

De qualquer modo, a iniciativa da campanha é elogiável; espero que dê bons frutos. De minha parte, já dei vexame: ao sair da reunião, pensando na morte da bezerra e nesta crônica, atravessei fora da faixa, sem motivo algum. Bonito, hein, Briguet? Pelo menos eu não dirijo, São Cristóvão!

Nenhum comentário: