sábado, 1 de maio de 2010

BBB pernicioso no futebol

O futebol brasileiro já foi romântico. Hoje, não mais. Com tantas câmeras de vídeo espalhadas pelo perímetro do campo, o jogador sente-se vigiado nos 90 minutos, e nem os reservas e o técnico escapam.
Acontece que tal tecnologia – de um modo geral bem vinda, sem dúvida – acaba por tirar um pouco a graça do futebol, pois, queira ou não, intimida a qualidade dos jogadores, uns em maior e outros em menor grau.
Hoje, as promotorias públicas, as federações e seus tribunais de justiça desportiva andam à caça de jogadores que xingam adversários ou que fazem sinais chulos para a torcida. E tudo ostensivamente repercutido pela chamada crônica esportiva.
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Xingar e fazer gestos obscenos sempre existiram dentro das quatro linhas. Aliás, fazem parte do jogo, porque quando 22 jogadores estão ali, correndo atrás da bola, encontram-se extremamente concentrados e sofrendo pressões de toda ordem. Por isso eu, sinceramente, acho atos do gênero perfeitamente natural e perdoável. Sim, perdoável! Xingamento no futebol não ofende a honra e nem a dignidade de ninguém.
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E daí que um jogador xingou o outro? Quem não xinga? E daí que o cara gesticulou para a torcida? Quem nunca fez algo assim publicamente, ainda que de forma tímida, que atire a primeira pedra! E olhe a hipocrisia... Priiii, falta!!!
Xingar e gesticular durante uma partida são coisas de momento, depois que o jogo acaba e os excessos emocionais dos jogadores caem, tudo volta ao normal. Deixem pra lá, não há ofensas, nada.
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O moderno futebol do Século 21 tira um pouco do clima, cerceia um pouco a alegria que abundava antigamente, nos saudosos anos 50 e 60. Daqui a pouco os promotores e a justiça desportiva vão ficar só por conta do BBBola e vão esquecer o mais importante: punir jogadores por praticarem lances realmente perigosos e que exclusivamente colocaram em risco a “integridade física” dos seus adversários. Deveriam se ater a isso, apenas, e não ficar procurando tolices que mais prejudicam do que contribuem.
O futebol, meu caro, não nasceu pudico, nunca foi um campo de moralismo ou um exemplo de recato para os desportistas e as pessoas. As intempéries morais, aí, fazem parte do jogo.
Por favor, preocupem-se com fatos mais importantes. Deixem a bola rolar e, bola pra frente!

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